As peregrinações da Alma

Posted in Reflexões on Dezembro 31, 2011 by lapicta

E enquanto as pessoas contam os minutos…um pouco de acidez mental, rs.

Recentemente li uma frase que dizia algo como não ser necessário mover-se fisicamente para renovar, esvaziar as mochilas da alma e coisa do gênero…

E então que, baseada um pouco nessa quase-frase reproduzida,  chego à conclusão de que, para mim, 2011 foi um ano em que minha alma passeou por diversos lugares dentro dela mesma…onde provou o doce e o amargo, onde reviu conceitos e buscou ver tudo o que lhe passou à frente sobre distintas e milhares de óticas as quais eu não partilhei e nem partilho…sempre buscando justificativa ou sentido para meu questionamento: “Pq?”.

Como acontece com todos e é usual, conheci boas pessoas, descobri lobos em peles de cordeiro, relativizei com os assumidamente óleo para a água que sou, limpei meu lixo e partilhei minha mesa com todos…sem rótulos ou outra frase que o valha.

Estar no mundo para mim sempre foi observar, matutar e agir… se me tocasse, se me agredisse, se aquilo encontrasse eco, qualquer que fosse…mas entendi que nem sempre se envolver  e etecéteras é sinônimo de outra coisa que não seja mais confusão, mais deturpação…hoje observo…ainda mais que antes…e na maior parte das vezes só observo e sigo minhas  peregrinações…sejam do corpo ou da alma, mais nada. A velha lição do cada um com seu cada qual finalmente viscerou em mim? Talvez…mas não paro mais para pensar sobre isso… eu continuo seguindo, em paz.

Fato é que não escrevo mais como escrevia pois “tô de bode”, rs… as pessoas tem se tornado monótonas e previsíveis muitas vezes… incluso quem até então mostrava-se diferente, decente, transparente e qualquer outro “ente” que eu pudesse vir a adicionar…e existe um lado meu que quer acreditar em lados negros mais aceitáveis (pois todos temos um) …em valores bons, em atitudes valorosas, em sinceridade nem que isso signifique um murro na cara…afinal, “show yourself” certo? Vem aqui e me diz na cara quem vc é de verdade…rs… mas as pessoas tem medo…de se expor, de terem defeitos, de seus desejos, da honestidade…como se o outro não fosse aguentar… e daí eu digo: “Qual é??? O mundo é duro…só vai te destruir quem você permitir…ou se eleger o restante como o mais forte que você…tenha fibra!” … mas enfim… novamente “cada um com seu cada qual” …. tenho vivido e aprendido…comendo o fruto doce e o amargo pois disso é feita a vida mesmo.

Essa semana uma amiga me disse: “é a natureza humana, não existem justificativas ou motivos”…. e isso me deu mais bode ainda, risos…essa máxima é velha, todo mundo a recita como se arrotasse após se deleitar de uma refeição daquelas…mas é que sou capricorniana…teimosa e que dá com os cornos até o muro quebrar ou ter uma dor de cabeça daquelas!!! Rs…mas chover no molhado é cansativo….

Meio cansada de “brigar” com as pessoas (pois o mundo, o planeta não tem nada a ver com isso) , sigo minhas peregrinações…de alma ou de corpo… novamente: “vivendo e aprendendo a jogar”.

Antes que eu soe como ingrata, de maneira alguma que sou! Tive bênçãos em 2011 que pessoas numa vida inteira não têm…conquistei muitas coisas …então sou uma abençoada por tantas coisas boas conquistadas, por saúde, por amor, por prosperidade por lições aprendidas e por toda a sorte de acontecimentos que tive nesse ano gregoriano que passou e que me promoveram as Peregrinações do título desse Post.

Viver é uma coisa fantástica mesmo! Te transforma como você nunca pode supor…te destrói, constrói, derruba e levanta num piscar de olhos, te veste e te desnuda…não existe mesmo perfeição…existem Escolhas…e eu cada vez mais aprendo a valorizar as minhas.

Ano sem arrependimentos mesmo…só com colheitas pra lá de proveitosas.

E que 2012 venha com tantos aprendizados quanto! Pois não faço resoluções de final de ano gregoriano…a renovação não é mera virada numérica.

Mais um final de ano…

Posted in dia_a_dia, Reflexões on Dezembro 22, 2011 by lapicta

…e eu em período de silêncio… fase de pensar muito, assimilar…porém não com geração de palavras concretas… se sempre fui da turma do Sentir, ultimamente mais do que nunca.

Sendo assim, mantenho meu momento “músicas que falam por mim”. Sobre lições, sobre reflexões e sobre conclusões…

E que venha 2012!

Pearl Jam – Given to Fly

Posted in Reflexões on Novembro 13, 2011 by lapicta

Pink Floyd – Brain Damage / Eclipse

Posted in Reflexões on Novembro 13, 2011 by lapicta

para pensar…

Miña Nai Lúa – Rosa Cedrón

Posted in Espiritualidade, Frases, Músicas, Reflexões on Novembro 5, 2011 by lapicta

Miña Nai Lúa (Rosa Cedrón)

Minha mãe Lua

Ti, oh señora das mareas
Principio e fin da miña doce esencia
En ti nace e morre o tempo…

Ti, forza fértil dos misterios
Eterna dona dos ocultos semtimentos
A liberdade dos trece segredos…

Arrolada no teu berce, miña nai lúa
Cantarei pra quen te quera ben
Cantarei ata o mencer.
Tapadiña co teu manto, miña nai lúa
Cantarei para quen te quera ver
Cantarei ate morrer

Ti que me acompañas cada noite
Na tan profunda e verdadeira dor
Da miña adormecida ialma…

Ti que agarimosamente buscas
Na tan escura poza dos meus ollos
Os vestixos dos meus soños

Arrolada no teu berce, miña nai lúa
Cantarei pra quen te quera ben
Cantarei ata o mencer.
Tapadiña co teu manto, miña nai lúa
Cantarei para quen te quera ver
Cantarei ate morrer

Cóbreme coa tua sombra silandeira
De amor e dauga, ti deusa das noites
Oh señora das mareas

Arrolada no teu berce, miña nai lúa
Cantarei pra quen te quera ben
Cantarei ata o mencer.
Tapadiña co teu manto, miña nai lúa
Cantarei para quen te quera ver
Cantarei ate morrer

———————-

Tu, oh senhora das marés

princípio e fim da minha doce essência

em ti nasce e morre o tempo…

Tu, força fértil dos mistérios

eterna dona dos ocultos sentimentos

a liberdade dos treze segredos…

Envolvida em teu berço, minha mãe Lua

cantarei pra quem te queira bem

cantarei até o amanhecer.

Tapadinha com teu manto, minha mãe Lua

cantarei para quem te queira ver

cantarei até morrer

Tu que me acompanhas cada noite

Na tão profunda e verdadeira dor

da minha adormecida alma…

Tu que carinhosamente buscas

na tão escura poça dos meus olhos

os vestígios do meus sonhos

Envolvida em teu berço, minha mãe Lua

cantarei pra quem te queira bem

cantarei até o amanhecer.

Tapadinha com teu manto, minha mãe Lua

cantarei para quem te queira ver

cantarei até morrer

Cobre-me com a tua sombra cirandeira

de amor e d’água, tu, deusa das noites,

oh senhora das marés

Envolvida em teu berço, minha mãe Lua

cantarei pra quem te queira bem

cantarei até o amanhecer.

Tapadinha com teu manto, minha mãe Lua

cantarei para quem te queira ver

cantarei até morrer

Eddie Vedder – Rise

Posted in Reflexões, Uncategorized on Outubro 22, 2011 by lapicta

Posted in Espiritualidade, Músicas, Reflexões on Outubro 22, 2011 by lapicta

A Solidão de quem Desperta

Posted in Espiritualidade, Reflexões on Setembro 19, 2011 by lapicta

Li o texto abaixo em (http://www.blog.potencialidadepura.com/2011/07/solidao-de-quem-desperta.html )

Boa Leitura!

A Solidão de quem Desperta

A solidão que se sente quando os olhos se abrem para o que se esconde por detrás do mundo é uma condição natural da pessoa desperta. Percebe-se que não se pertence mais àquele mundo de outrora que persiste em permanecer adoentado, assim como a pessoa fora também.

O mundo é um grande hospício e você fazia parte dos adoentados. Quando
despertou, percebeu que não estava mais doente, todavia ainda preso ao hospício do mundo, cercado por tantas pessoas vivendo uma ilusão coletiva. Nasceu então o sentimento de se estar vivendo num aquário.

A princípio o corpo é tomado de uma empolgação abrasadora e surge a vontade de dizer a todos os loucos do hospício que o mundo não é aquilo, que há mais coisas lá fora, que estão controlando a todos, que os personagens que representam não são verdadeiros, que cada um é mais do que aparenta ser… Mas ninguém lhe dá ouvidos.

Percebendo então que os esforços de acordá-los para a realidade são inúteis, a
tristeza o acomete. A solidão então lhe abraça de tal forma que beira ao desespero.
Você não pertence mais àquele hospício, porém não pode sair de lá sozinho.

Para escapar há apenas duas opções: morto ou através da união de todos os internos.
E ao pensar nisso, você se irrita como fazia antes de acordar. Irrita-se, pois
não quer mais viver neste lugar de loucos, mas depende destes para sair.

Os loucos passaram a olhá-lo de maneira estranha, pois você se deslocou do
mundo deles, parecendo diferente, esquisito, louco (a loucura para o louco é a
sanidade alheia). Mas ao verem-no com tanta irritação, logo percebem que você ainda é o mesmo, ainda pertence ao grupo, ainda é refém de si próprio.

E você, em toda a sua angústia, se pergunta:
- Como posso continuar vivendo neste lugar, cercado dessa gente toda que não sabe o que está acontecendo? Como posso suportar?

Você tinha vozes na sua cabeça antigamente. Vozes que o instigavam, o
irritavam, o assustavam, o castigavam e o insultavam. Ao despertar, você abriu um novo canal para uma voz que não vem da cabeça, mas do coração. Essa voz é o que você realmente é, e ela sempre lhe diz o que é mais correto a se fazer.
Todavia, por ficar ainda querendo respostas prontas, você nunca conseguiu
ouvi-la.

Se prestasse atenção ela diria algo mais ou menos assim:

- Não tenha mais medo. Você conhece a verdade, então por que ainda teme? Por que ainda sente raiva e frustração? Por que ainda mantém os velhos vícios mentais? Agora que você sabe uma parte da verdade é tempo de pôr em prática a sua sanidade real, a sua consciência verdadeira.

- Os loucos são seus irmãos, iguais a você, por isso não os despreze, não os
julgue, não os odeie. Assim como ocorria com você, eles não sabem o que fazem.
Estão adoentados, portanto não aprendem de maneira direta. Eles aprendem
através do exemplo, e se vier junto de atitudes amorosas, aprenderão ainda mais rápido. E é isso que você deve fazer: servir de exemplo.

- Não queira abraçar todos ao mesmo tempo, você é somente um. Faça pequenas coisas e não se preocupe com mais nada senão consigo mesmo. Você despertou, mas ainda mantém vários resquícios da doença de outrora, e isso sim precisa ser trabalhado. Concentre-se nisso, pois é o que mais importa. Uma vez melhorando a si mesmo, aos poucos os outros irão espelhar-se, pois a verdade sempre faz sentido, não importa o nível de loucura.

Então, ouvindo essa voz que vem do seu âmago, você compreenderá que não precisa lutar, não precisa forçar, não precisa se desesperar. Você está cercado de adoentados, portanto aprenda a conviver com eles de forma amorosa e
desprendida. Não precisa fingir nada, mas também não precisa impor nada.
Apenas seja o melhor que puder ser e compartilhe isso com as outras pessoas.

Marcos Keld

Andares – Hermann Hesse

Posted in Literatura, Poesias, Reflexões on Agosto 23, 2011 by lapicta

 

Andares

Como emurchece toda flor, e toda idade
juvenil cede à senil – cada andar da vida
floresce, qual a sabedoria e a virtude,
a seu tempo, e não há de durar para sempre.

A cada chamado da vida o coração
deve estar pronto para a despedida e para
novo começo, com ânimo e sem lamúrias,
aberto sempre para novos compromissos.
Dentro de cada começar mora um encanto
que nos dá forças e nos ajuda a viver.

Devemos ir contentes, de um lugar a outro,
sem apegar-nos a nenhum como a uma pátria:
não nos quer atados, o espírito do mundo
- quer que cresçamos, subindo andar por andar.
Mal a um tipo de vida nos acomodamos
e habituamos, cerca-nos o abatimento.

Só quem se dispõe a partir e a ir em frente
pode escapar à rotina paralisante.
É bem possível que a hora da morte ainda
de novos planos ponha-nos na direção:
para nós, não tem fim o chamado da vida…
Saúda, pois, e despede-te, coração!

(de “Andares”, 1961)

 

Um – Silêncio

Posted in Espiritualidade, Poesias, Reflexões on Agosto 23, 2011 by lapicta

 

 Sim, One


O que sinto , a língua não fala.
Há uma dor que não tem nome.
Musgo de abismo que o sopro
da voz alcança e macera.
Don’t let me be misunderstood.
I don’t want to be alone.

 

 Silêncio

De pedra ser.
Da pedra ter
o duro desejo de durar.
Passem as legiões
com seus ossos expostos.
Chorem os velhos
com casacos de naftalina.
A nave branca chega ao porto
e tinge de vinho o azul do mar.
O maciço de rocha,
de costas para a cidade
sete vezes destruída,
celebra o silêncio.
A pedra cala
o que nela dói.

Donizete Galvão

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