Arquivo de Fevereiro, 2010

Canto para minha Morte

Posted in Espiritualidade, Músicas, Reflexões on Fevereiro 26, 2010 by lapicta

Canto para minha Morte

Raul Seixas

Composição: Raul Seixas / Paulo Coelho

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas… Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio…

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite…

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

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Esse post é em homenagem a meu tio, que morreu semana passada, deixando todos nós da família saudosos. Eu e meu irmão nos lembraremos pra sempre das estórias estilo contos de fadas que nos contava qdo éramos crianças… mas eram estórias modificadas…contadas a ele pelo pai dele que por sua vez eram contadas pelo avô dele, era uma tradição na família. Nos lembraremos sempre do seu bom humor, do sorriso pilantrão que tinha e do olhar divertido que possuía sobre tudo e todos.

Nietzche

Posted in Espiritualidade, Frases, Reflexões on Fevereiro 26, 2010 by lapicta

Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida – ninguém, exceto tu, só tu.

 Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.

 Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.

 Onde leva? Não perguntes, segue-o!

 Nietzsche

Amargura

Posted in dia_a_dia on Fevereiro 25, 2010 by lapicta

Dei uma passadinha pelo blog do Paulo Coelho (acho que foi ontem). Segue um texto de lá.

Só quem já conheceu pessoas nessas condições é que absolutamente enxergam 100% ao ler esse texto.

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No meu livro “Veronika decide morrer”, que se passa em um hospital psiquiátrico, o diretor desenvolve uma tese a respeito de um veneno indetectável que contamina o organismo com o passar dos anos: o vitríolo.

Assim como a libido – o líquido sexual que o Dr. Freud reconhecera, mas nenhum laboratório fora jamais capaz de isolar, o vitríolo é destilado pelos organismos de seres humanos que se encontram em situação de medo. A maioria das pessoas afetadas identifica seu sabor, que não é doce nem salgado, mas amargo – daí as depressões serem profundamente associadas com a palavra Amargura.

Todos os seres têm Amargura em seu organismo – em maior ou menor grau – da mesma maneira que quase todos temos o bacilo da tuberculose. Mas estas duas doenças só atacam quando o paciente acha-se debilitado; no caso da Amargura, o terreno para o surgimento da doença aparece quando se cria o medo da chamada “realidade”.

Certas pessoas, no afã de querer construir um mundo onde nenhuma ameaça externa pudesse penetrar, aumentam exageradamente suas defesas contra o exterior – gente estranha, novos lugares, experiências diferentes – e deixam o interior desguarnecido. É a partir daí que a Amargura começa a causar danos irreversíveis.

O grande alvo da Amargura (ou Vitríolo, como preferia o médico do meu livro) é a vontade. As pessoas atacadas deste mal vão perdendo o desejo de tudo, e em poucos anos já não conseguem sair de seu mundo – pois gastaram enormes reservas de energia construindo altas muralhas para que a realidade fosse aquilo que desejavam que fosse.

Ao evitar o ataque externo, também limitam o crescimento interno. Continuam indo ao trabalho, vendo televisão, reclamando do trânsito e tendo filhos, mas tudo isso acontece automaticamente, sem que entendam direito porque estão se comportando assim – afinal de contas, tudo está sob controle.

O grande problema do envenenamento por Amargura reside no fato de que as paixões – ódio, amor, desespero, entusiasmo, curiosidade – também não se manifestam mais. Depois de algum tempo, já não restava ao amargo qualquer desejo. Não tinham vontade nem de viver, nem de morrer, este era o problema.

Por isso, para os amargos, os heróis e os loucos são sempre fascinantes: eles não têm medo de viver ou morrer. Tanto os heróis como os loucos são indiferentes diante do perigo, e seguem adiante apesar de todos dizerem para não fazerem aquilo. O louco se suicida, o herói se oferece ao martírio em nome de uma causa – mas ambos morrem, e os amargos passavam muitas noites e dias comentando o absurdo e a glória dos dois tipos. É o único momento em que o amargo tem força para galgar sua muralha de defesa e olhar um pouquinho para fora; mas logo as mãos e os pés cansam, e ele volta para a vida diária.

O amargo crônico só nota a sua doença uma vez por semana: nas tardes de domingo. Ali, como não tem o trabalho ou a rotina para aliviar os sintomas, percebem que alguma coisa está muito errada.

Paulo Coelho

Eu sou sim…

Posted in Músicas, Reflexões on Fevereiro 24, 2010 by lapicta

hoje, ao ouvir essa música pela manhã vindo para o trabalho, lembrei de tanta gente que passou pela minha vida e me nomeou de atributos depreciativos, me olhou estranho em diversos momentos por eu ter determinados posicionamentos,  ter certas atitudes… mas, principalmente, por eu dizer certas coisas e a forma como me expresso (dura e cruamente). Então, ta aí: dedicado àqueles que são medíocres…pois eu não me faço de medíocre pra agradar ninguém.

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Eu sou Egoísta

Raul Seixas

Composição: Raul Seixas / Marcelo Motta

Se você acha que tem pouca sorte
Se lhe preocupa a doença ou a morte
Se você sente receio do inferno
Do fogo eterno, de Deus, do mal
Eu sou estrela no abismo do espaço
O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço
Onde eu tô não há bicho-papão
Eu vou sempre avante no nada infinito
Flamejando meu rock, o meu grito
Minha espada é a guitarra na mão

Se o que você quer em sua vida é só paz
Muitas doçuras, seu nome em cartaz
E fica arretado se o açúcar demora
E você chora, cê reza, cê pede… implora…
Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho
Eu quero é ter tentação no caminho
Pois o homem é o exercício que faz
Eu sei… sei que o mais puro gosto do mel
É apenas defeito do fel
E que a guerra é produto da paz

O que eu como a prato pleno
Bem pode ser o seu veneno
Mas como vai você saber… sem provar?

Se você acha o que eu digo fascista
Mista, simplista ou anti-socialista
Eu admito, você tá na pista
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou egoísta, eu sou,
Eu sou egoísta, eu sou,
Por que não…

Oscar Wilde

Posted in Frases, Poesias on Fevereiro 23, 2010 by lapicta

Vou postar algumas frases e trechos com as quais me identifico de um grande poeta, escritor, dramaturgo…enfim, um grande artista irlandês. Alguém que ao meu ver, esteve à frente de seu tempo e creio ter pago alguns preços por isso.

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“O número dos que nos invejam confirma as nossas capacidades.”

“As boas intenções têm sido a ruína do mundo. As únicas pessoas que realizaram qualquer coisa foram as que não tiveram intenção alguma.”

“Raramente a verdade é pura, e nunca é simples.”

“Cigarros são a forma perfeita de prazer: elegantes e insatisfatórios.”

“O segredo do amor é maior do que o segredo da morte.”

“As nossas tragédias são sempre de uma profunda banalidade para os outros.”

“Há sempre algo de ridículo nas emoções da pessoa que se deixou de amar.”

“Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.”

“Não deixe de perdoar os seus inimigos – nada os aborrece tanto.”

“O mundo pode ser um palco. Mas o elenco é um horror.”

“Quando os deuses nos querem punir, respondem às nossas preces.”

“A Moral não me ajuda. Sou antagônico nato. Sou uma daquelas pessoas que são feitas para exceções, não para regras. (De Profundis)”

“Por detrás da Alegria e do Riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas, por detrás do Sofrimento, há sempre Sofrimento. Ao contrário do Prazer , a Dor não tem máscara.”

“Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos.”

“A maquiagem diz-nos mais que o rosto.”

“Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal.”

“Algumas pessoas preferem ser medíocres. Outras, quando resolvem não ser, correm o risco de perder amigos.”

“Adoro as coisas simples. Elas são o último refúgio de um espírito complexo.”

“Os loucos as vezes se curam, Os imbecis nunca.”

“O diabo é muito otimista se pensa que pode piorar os homens.”

“O verdadeiro tolo, de quem os deuses zombam e a quem tentam destruir, é aquele que não conhece a si próprio.”

“O sofrimento é o nosso meio de vida porque é o único meio através do qual temos consciência de existir, a lembrança dos sofrimentos passados nos é necessária como um testemunho, uma prova de que continuamos a manter a nossa identidade.”

“O corpo peca uma vez e não tem nada mais a ver com o pecado, pois a ação é um modo de purificação. Nada permanece, a não ser a lembrança de um prazer ou desgosto. A única maneira de se livrar de uma tentação é entregar-se a ela. Resista, e sua alma fica doente de desejo pelo que foi proibido.”

“Definir é limitar”.(O Retrato de Dorian Gray)

“O cinismo consiste em ver as coisas como realmente são, e não como deveriam ser.”

“Se a deixar partir morrerá. E a morte do coração é a morte mais horrível que existe.”

“Every saint has a past and every sinner has a future.”

”Não sou jovem o suficiente para saber tudo.”

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Influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. As suas virtudes não lhe são naturais. Os seus pecados, se é que existe tal coisa, são tomados de empréstimo. Torna-se o eco de uma música alheia, o ator de um papel que não foi escrito para ele. O objectivo da vida é o desenvolvimento próprio, a total percepção da própria natureza, é para isso que cada um de nós vem ao mundo. Hoje em dia as pessoas têm medo de si próprias. Esqueceram o maior de todos os deveres, o dever para consigo mesmos. É verdade que são caridosas. Alimentam os esfomeados e vestem os pobres. Mas as suas próprias almas morrem de fome e estão nuas. A coragem desapareceu da nossa raça e se calhar nunca a tivemos realmente. O temor à sociedade, que é a base da moral, e o temor a Deus, que é o segredo da religião, são as duas coisas que nos governam.
(O Retrato de Dorian Gray)

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Balada do Cárcere de Reading

(…) Eu soube, então, a idéia lacerante
que o atormenta, e o faz correr,
e o faz olhar, tristonho, o céu radiante,
radiante, e alheio ao seu sofrer:
matou aquela que adorava,
– por causa disso vai morrer.

No entanto (ouvi) cada um mata o que adora:
o seu amor, o seu ideal.
Alguns com uma palavra de lisonja,
outros com um duro olhar brutal,
O covarde assassina dando um beijo,
o bravo, mata com um punhal.

Uns matam o Amor, velhos; outros, jovens;
(quando o amor finda, ou o amor começa);
matam-no alguns com a mão do Ouro, e alguns
com a mão da Carne — a mão possessa!
E os mais bondosos, esses apunhalam,
– que a morte, assim, vem mais depressa.

Há corações vendidos, e há comprados;
uns amam, pouco, outros demais;
há quem mate a chorar, vertendo lágrimas,
ou a sorrir, sem dor, sem ais.
Todo homem mata o Amor; porém, nem sempre,
nem sempre as sortes são iguais.”
(…)

Quando ser sincero é a profissão…

Posted in dia_a_dia on Fevereiro 22, 2010 by lapicta

Cyanide and Happiness

um pouco de humor negro nessa 2ª feira tããããããooooooo feliz (estou sendo irônica, d-e-t-e-s-t-o segundas).

Iniciando…

Posted in Uncategorized on Fevereiro 19, 2010 by lapicta

Não sei bem o pq criei um blog…creio que é por eu gostar bastante de ler diversos por aí.

Não sei bem aonde esse blog vai me levar… nem se terei muita paciência ou saco para postar com certa regularidade, maaaaaaas, de qlqr maneira, estou realizando a experiência.

Vamos falar de tudo e de nada… pois assunto fixo, nessa mente prolixa q eu tenho vai ser impossível.

Pra fechar a semana com chave de ouro, um pequeno texto para refletir.

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“O mais importante de tudo é saber quem sou: não o que penso ser ou desejo ser ou pareço ser ou quero parecer. O que sou. Na total disponibilidade, com a falta de vergonha do simples, do ignorante, do arrogante.

Eu – sem o meu ego a fazer obstáculo. Totalmente desinteressado de mim mesmo, e das consequências que poderá acarretar para a minha pessoa esse entregar-me todo nas mãos de quem sou. Tamanha sinceridade só tem por limite Deus.

Mas ousá-lo é bem difícil. Estou cheio dos outros! O meu ego timorato acolhe-se sucessivamente nos alvéolos de assumir o que outrem de mim exige, sendo outro outrem dia a dia, ao sabor dos outros. Outros que a mim são iguais nisso de não serem senão outrem: e então, quem veradeiramente é?”  (21 de Maio de 1986, Diário 20, Lima de Freitas)

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