Arquivo de Abril 23, 2010

Murmúrios de Samhain

Posted in Crenças Tradicionais Européias, Espiritualidade, Poesias on Abril 23, 2010 by lapicta

Posto um poema muito antigo de uma grande amiga.
Então que agora, eu caminho para um celebração espiritual muito querida e específica…os post tenderão mais por esses “climas” até lá.

Não desdenhes de Mim, alma profana
E muito menos te atrevas Me fitar
Doma em ti o estupor da fúria insana
Para que possas merecer o Meu olhar.
 
Destrói o ego que corrói tuas fétidas entranhas
E te mergulha, alma negra, na mais plena escuridão.
Ao aço frio da Minha espada te expõe, ó Norne estranha
Pois só então te farás digna da Minha compaixão.
 
Sufoca em ti este veneno letal da vil soberba
Que te corrompe, alma aflita, e te conduz à perdição
E que permite revelar-Me o quão nefasta és então.
 
Abre os portais da tua essência para a humildade sincera
E te permitas  que entre  luz neste tão pétreo coração
Para que Eu possa ofertar-te dons, clemência e proteção.

(SunFlowersFaery – Março 2006)

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Espelho Mágico – Mário Quintana

Posted in Poesias on Abril 23, 2010 by lapicta

Da observação

Não te irrites, por mais que te fizerem…
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem, Teu mais amável e sutil recreio…

Do estilo

Fere de leve a frase…E esquece…nada
Convém que se repita…
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.

Das Belas Frases

Frases felizes…Frases encantadas…
Ó festa dos ouvidos!
Sempre há tolices muito bem ornadas…
Como há pacóvios bem vestidos.

Do Cuidado da Forma

Teu verso, barro vil,
No teu casto retiro, amolga, enrija, pule…
Vê depois como brilha, entre os mais, o imbecil, Arredondado e liso como um bule!

Dos Mundos

Deus criou este mundo. O homem, todavia, Entrou a desconfiar, cogitabundo…
Decerto não gostou lá muito do que via…
E foi logo inventando o outro mundo.

Das Corcundas

As costas de polichinelo arrasas
Só porque fogem das comuns medidas?
Olha! Quem sabe não serão as asas
De um anjo, sob as vestes escondidas…

Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis…ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

Dos Milagres

O milagre não é dar vida ao corpo extinto, Ou luz ao cego, ou eloqüência ao mundo…
Nem mudar água pura em vinho tinto…
Milagre é acreditarem nisso tudo!

Das Ilusões

Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida…
Que extraordinária sensação de alívio!

Dos Nossos Males

A nós nos bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais…

Da Eterna Procura

Só o desejo inquieto, que não passa,
Faz o encanto da coisa desejada…
E terminamos desdenhando a caça
Pela doida aventura da caçada.

Do Pranto

Não tente consolar o desgraçado
Que chora amargamente a sorte má.
Se o tirares por fim do seu estado,
Que outra consolação lhe restará?

Do sabor das coisas

Por mais raro que seja, ou mais antigo,
Só um vinho é deveras excelente:
Aquele que tu bebes calmamente
Com o teu mais velho e silencioso amigo…

Dos Sistemas

Já trazes, ao nascer, tua filosofia.
As razões? Essas vem posteriormente,
Tal como escolhes, na chapelaria,
A forma que mais te assente…

Do exercício da filosofia

Como o burrico mourejando à nora,
A mente humana sempre as mesmas voltas dá…
Tolice alguma nos ocorrerá
Que não a tenha dita um sábio grego outrora…

Das idéias

Qualquer idéia que te agrade,
Por isso mesmo… é tua.
O autor nada mais fez do que vestir a verdade que dentro em ti se achava inteiramente nua…

Da amizade entre mulheres

Dizem-se amigas… Beijam-se… Mas qual!
Haverá quem nisso creia?
Salvo se uma das duas, por sinal,
for muito velha, ou muito feia…

Da Felicidade

Quantas vezes a gente, em busca da ventura, Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura, Tendo-os na ponta do nariz!

Da Realidade

O sumo bem só no ideal perdura…
Ah! Quanta vez a vida nos revela
Que “a saudade da amada criatura”
É bem melhor do que a presença dela…

Do Amoroso Esquecimento

Eu, agora – que desfecho!
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Da discrição

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo de teu amigo
Possui amigos também…

Da Preguiça

Suave preguiça, que do mau-querer
E de tolices mil ao abrigo nos pões…
Por causa tua, quantas más ações
Deixei de cometer!

Do ovo de Colombo

Nos acontecimentos, sim, é que há destino:
Nos homens, não – Espuma de um segundo…
Se Colombo morresse em pequenino,
O Neves descobria o novo mundo!

Do mal da velhice

Chega a velhice um dia…E a gente ainda pensa Que vive… E adora ainda mais a vida!
Como o enfermo que em vez de dar combate à doença Busca torná-la ainda mais comprimida…

Da moderação

Cuidado! Muito cuidado…
Mesmo no bom caminho urge medida e jeito.
Pois ninguém se parece tanto a um celerado Como um santo perfeito…

Da calúnia

Sorri com tranqüilidade
Quando alguém te calunia.
Quem sabe o que não seria
Se ele dissesse a verdade…

Da experiência

A experiência de nada serve à gente.
É um médico tardio, distraído:
Põe-se a forjar receitas quando o doente Já está perdido…

De como perdoar aos inimigos

Perdoas… És cristão…Bem o compreendo…
E é mais cômodo, em suma.
Não desculpes, porém, coisa nenhuma,
Que eles bem sabem o que estão fazendo…

Da condição humana

Se variam na casca, idêntico é o miolo,
Julguem-se embora de diversa trama:
Ninguém mais se parece a um verdadeiro tolo Que o mais sutil dos sábios quando ama.

Da própria obra

Exalta o remendão seu trabalho de esteta…
Mestre alfaiate gaba o seu corte ao freguês…
Por que motivo só não pode o poeta
Elogiar o que fez?

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