Arquivo de Abril 26, 2010

Quero escrever o borrão vermelho de sangue

Posted in Poesias on Abril 26, 2010 by lapicta

Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.

Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.

Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.

 Clarice Lispector

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Passional

Posted in dia_a_dia, Reflexões on Abril 26, 2010 by lapicta

Encontrei um e-mail hoje quando eu estava organizando minhas mensagens…um que havia repassado a uma amiga um tempão atrás. Lembro que eu havia repassado ele  dizendo q era bem forte e que eu havia gostado bastante.

Minha concepção de forte é sempre relacionada a passionalidade…pq eu sou passional, sou intensa e totalmente extrema: se amo, é um amor forte, quente, que funde e une a mim e a quem amo num elo muito profundo e muito concreto, um negócio meio místico e que dá até medo (ah sim, me dá medo qdo sinto essas coisas…mas preciso delas como de ar, de água…preciso de sentimentos intensos e profundos). Se odeio tb, é algo totalmente inflamado e profundo, raivoso e denso…resumindo e repetindo: sou pura passionalidade.

Nunca gostei de mornidão ou pessoas mornas…minhas convicções sempre foram fortes, as expressões que uso são fortes, a maneira como que eu me apresento perante o mundo é altivo e algo chamativo (não por egocentrismo de me achar bonita… eu acho q sou uma mulher normal que tem seus atrativos, simplesmente) mas algo em mim sempre fez com que eu fosse notada onde quer que estivesse…sou a anti-social magnética, risos, todo mundo quer trocar umas palavrinhas comigo, rs, tem horas que é engraçado e outras nada engraçado (devido à cabeludice do que me dizem, rs).

Enfim, o texto que publico abaixo reflete bem o que é ser passional ao extremo (aliás, me vejo dizendo coisas muito semelhantes… êta Lua em Áries viu…rs)

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Retirado do blog Papinho de Cafa.

Todos.De Todos

Mito tempo. Aquilo que antes me fazia suspirar, fechar os olhos e sorrir indiretamente, acabou. Passou. Morreu. A sensação de estar sendo surpreendida a cada dia se foi. Tudo se tornou igual. Admito: Queria mais. Precisava de mais. Desejava o corpo e o que ele tinha a me oferecer e, ainda assim, queria mais.

Admito: Fingi. Enganei. Escondi. Pra que falar? Uma coisa sou eu, outra coisa é ele e outra bem diferente somos nós dois juntos. Não preciso ser eu quando estou com alguém. Sou quem eu quero ser naquele momento, com aquele um ou com aquele outro. Nunca a mesma pessoa com cada um.

Afirmo: Cada um merece algo diferente. Não haveria como eu ser igual. Cada um recebe um beijo com uma intensidade diferente. Cada um tem uma parte de mim, mas nunca, jamais conseguem ter tudo. Não são capazes, nunca serão.

Confesso: Eu vim pra destruir. Vim pra machucar. Vim pra fazer doer. Foi pra arder, pra ferir, pra cortar, pra rasgar da cabeça aos pés. É pra você sentir a dor, filho da puta. É pra você sentir a culpa. É pra doer na sua alma. É pra se arrepender, pra sentir doer como nunca antes foi capaz de sentir.

Te garanto: Vai doer, você vai chorar e sentir o gosto do arrependimento. Vai sentir a tal culpa. Quero que você sinta. Sim, você. Qualquer um de vocês. Vai aprender da pior maneira, pelo pior caminho. Será como pimenta nos teus olhos. E quando arder, não chore. Guarde a porra do choro pra si. Ninguém, principalmente eu, é obrigado a ver seu choro de marica.

Se ferre. Se cubra de tapas. Em seguida, pegue um papel e uma caneta. Escreva:

– Hoje eu sei o que eu causei. Consigo sentir a dor e a culpa. Não sou inocente. Admito tudo que fiz, mas sou covarde o bastante pra enfrentar isso. Fui covarde pra fazer o que fiz, esconder e negar, e continuo sendo o mesmo merda covarde de sempre. Um inútil, é isso que eu sou.

Pegue uma faca.
Enfie no peito e rasgue. Desfrute da dor, veja teu sangue. E morra.

Você não vai fazer isso, vai? Não vai. Você é covarde até pra isso. Antes de pegar a faca vai mudar o bilhete. Vai escrever que eu te matei, vai passar a culpa pra mim. Burro. Mal sabe você que quem te matou mesmo fui eu. De desgosto, de culpa, de remorso. Te persuadi, conduzi os seus movimentos perfeitamente e te fiz homem de verdade agora. Nesse momento. Aqui.

Você não vai chorar. Olhe pra mim, pegue aquela faca. Enfie no peito e rasgue. Desfrute da dor. Da SUA dor. Da dor que você mesmo causou a si e aos outros. Veja teu sangue, caia no chão. Me peça perdão. Ouça o meu NÃO, sinta a faca te rasgando inteiro e só então morra. Na minha frente, nos meus pés, como um saco de lixo. O lixo que você sempre foi. A coisa podre que você ainda é.

O Avesso

Posted in Poesias, Reflexões on Abril 26, 2010 by lapicta

Quer conhecer meu avesso?
Talvez possa não lhe agradar
Pode ser que o assuste
Ou lhe constranja em sua obviedade
Meu avesso é excêntrico
Não suporta o comum
Foge as regras e as convenções
É ousado e inventivo
Enfrenta os senões 
Não se incomoda com conceitos
Quanto menos com preconceitos
Cria seus próprios limites
Quando lhe convém tê-los
Pode surpreender aos desavisados
Pode encantar aos temerosos
Aqueles que no fundo admiram a coragem
Embora não a tenham dentro de si
Meu avesso é aquela que em mim habita
Mas nem sempre se mostra
Vive no escuro da noite
Se abriga nos porões da alma
Não é perversa, mas inversa
Forte e poderosa
Se esconde não por medo
Mas por precaução
É precavida em suas aparições
Não pode ser visível a qualquer momento
Pra que expor-se desnecessariamente?
Mas lá ela está e sobrevive
Alimentada pela outra em mim
Que se mostra e se expõe
Protegida e protetora
Quando necessário ela vem
E a força de mim se apodera

Ianê Mello

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