Arquivo de Abril 27, 2010

Frase

Posted in Frases on Abril 27, 2010 by lapicta

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

recebi por e-mail do meu primo

Resolvi todos os problemas da minha vida: misturei Activia e Johnnie Walker.

“Agora tô cagando e andando…”

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O Rebelde – Charles Baudelaire

Posted in Poesias on Abril 27, 2010 by lapicta

O Rebelde

Um anjo em fúria qual uma águia cai do céu;
Segura, a garra adunca, os cabelos do ateu
E, sacudindo-os, diz: “À regra serás fiel!”
(Sou teu Anjo guardião, não sabias?) És meu!

Pois é preciso amar, sorrindo à pior desgraça,
O perverso, o aleijado, o mendigo, o boçal,
Para que estendas a Jesus, quando ele passa,
Com tua caridade um tapete triunfal.

Eis o amor! Antes que a alma tenhas em ruínas,
Teu êxtase reaviva à glória e à luz divinas;
Esta é a Volúpia dos encantos Celestiais!

E o Anjo, que a um tempo nos exalta e nos lamenta,
Com punhos de gigante e anátema atormenta;
Mas o ímpio sempre diz: “Não serei teu jamais!”

Charles Baudelaire (tradução Ivan Junqueira e Jamil Haddad)

Ausência – Vinícius de Moraes

Posted in Poesias on Abril 27, 2010 by lapicta

Esse poema é lindo sim…mas de uma melancolia muito funda… faz tempo que eu o conheço e o mantive guardado… nunca o enviei a ninguém. 

A mim ele transmite uma tristeza ancestral…algo muito entranhado e mesclado…algo muito íntimo e frágil.

Na verdade, ele soa quase como uma maldição se for pensar bem… fala sobre situações únicas que se esgotam e nunca mais voltam a ocorrer… fala sobre a perda de uma maneira muito particular…a perda de algo que não se repete em uma mesma vida.

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes

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