Arquivo de Maio, 2010

Edgar Allan Poe – Verme Vencedor

Posted in Poesias, Reflexões on Maio 31, 2010 by lapicta

VEDE! é noite de gala, hoje, nestes anos últimos e desolados!
Turbas de anjos alados, em vestes de gaze, olhos em pranto banhados,
vêm sentar-se no teatro, onde há um drama singular, de esperança e agonia;
e, ritmada, uma orquestra derrama das esferas a doce harmonia.

Bem à imagem do Altíssimo feitos, os atores, em voz baixa e amena,
murmurando, esvoaçam na cena; são de títeres, só, seus trejeitos,
sob o império de seres informes, dos quais cada um a cena retraça
a seu gosto, com as asas enormes esparzindo invisível Desgraça!

Certo, o drama confuso já não poderá ser um dia olvidado,
com o espectro a fugir, sempre em vão pela turba furiosa acossado,
numa ronda sem fim, que regressa, incessante, ao lugar da partida;
e há Loucura, e há Pecado, e é tecida de Terror toda a intriga da peça!

Mas, olhai! No tropel dos atores uma forma se arrasta e insinua!
Vem, sangrenta, a enroscar-se, da nua e erma cena, junto aos bastidores. .
A enroscar-se. . . Um a um, cai, exangue, cada ator, que esse monstro devora.
E soluçam os anjos – que é sangue, sangue humano, o que as fauces lhe cora!

E se apagam as luzes! Violenta,
a cortina, funérea mortalha,
sobre os trêmulos corpos se espalha, ao tombar, com rugir de tormenta.
Mas os anjos, que espantos consomem, já sem véus, a chorar, vêm depor
que esse drama, tão tétrico, é “O Homem” e o herói da tragédia de horror é o
Verme Vencedor.

 (Retirado do final do filme “Imortal – A morte vem para todos…menos uma” baseado no conto clássico de Edgar Allan Poe intitulado Ligeia).

Cantares – Antonio Machado

Posted in Espiritualidade, Poesias, Reflexões on Maio 28, 2010 by lapicta

Cantares

Antônio Machado

Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.

Nunca persequí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse…
Nunca perseguí la gloria.

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar…

Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso.

Maybe – Janis Joplin

Posted in Músicas on Maio 28, 2010 by lapicta

Como essa mulher sofria…essa voz é pura dor muitas vezes.

Duvido que alguém não conheça…com vocês, Pearl (como muitos a chamavam…a branca com voz de negra).

Maybe Talvez
Maybe… Talvez…
Oh, if I could pray, Oh, se eu pudesse orar,
and I try, dear, e tentar, meu bem
You might come back home, Você voltaria para casa,
home to me. para casa para mim.
   
Maybe Talvez
Whoa, if I could ever hold Whoa, se eu tivesse
your little hand segurado a sua mão
Ooh, you might understand. Ooh, você entenderia.
Maybe, maybe, Talvez, talvez,
maybe, maybe… yeah talvez, talvez… yeah
   
Maybe, maybe, maybe, Talvez, talvez, talvez,
maybe, maybe, dear, talvez, talvez, meu bem,
I guess I might have Acho que eu tenha
done something wrong, feito algo errado
Honey, I’d be glad Querido, eu ficaria 
to admit it satisfeita em admitir isso
Ooh, come on Ooh, Venha para casa,
home to me! para mim!
Honey, maybe, maybe,  Querido, talvez, talvez,
maybe, maybe… yeah talvez, talvez… yeah
   
Well, I know that it just doesn’t Bem, eu sei que nunca parecerá
ever seem to matter, babe, ter importância, babe
Ooh, honey, when I go out Oh, Querido, Quando
or what I’m trying to do, eu saio ou tento sair
Can’t you see  Você não percebe que eu 
I’m still left here ainda estou abandonada aqui?
And I’m holding E que estou presa a essa 
on in needing you necessidade de precisar de você?
   
Please, please, Por favor, por favor, 
please, please, por favor, por favor, 
Oh, won’t you  Você não irá 
reconsider, babe, reconsiderar nada? , babe,
Now come on, Agora venha, 
I said come back, eu disse para você voltar
Won’t you come Você não irá 
back to me! voltar para mim!
   
Maybe, dear, oh maybe,  Talvez, meu bem, Oh, 
maybe, maybe, talvez, talvez, talvez,
Let me help you Deixe-me me ajudá-lo
show me how. a me fazer entender
Honey, maybe, maybe, Querido, talvez,
maybe, maybe, talvez, talvez,
Maybe, maybe, Talvez, talvez,
maybe, yeah, talvez, talvez,
Maybe, maybe, Talvez, talvez,
maybe, yeah. talvez, sim.
Ooh! Ooh!

Almas Desertas e Grandes

Posted in Poesias, Reflexões on Maio 27, 2010 by lapicta

Pessoa para mim é sempre assombroso…

Eu o leio e rio…ou leio e fico filosofando…afinal, ele nunca passa desapercebido MESMO. Com o jeitinho manso de escrever q ele tem (pois para mim sua escrita é suave) , ele chega, abre suas “portas” e daí, uau… paisagens abismais se descortinam.

As Almas São Desertas E Grandes

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.

Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.

Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
Fim.

Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)
4-10-1930

Sobre a perdição…

Posted in Espiritualidade, Frases, Reflexões on Maio 27, 2010 by lapicta

“Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você”. 

Friedrich Nietzsche – Para Além do Bem e do Mal

Queensryche – Silent Lucidity

Posted in Espiritualidade, Músicas, Reflexões on Maio 26, 2010 by lapicta

Sabe aquelas músicas que te salvam? Então… na verdade eu fico meio emocionada (é…eu sou piegas às vezes também) quando ouço essa música. Me faz voar em minhas profundidades…lá nos ermos de meus abismos.

Queensryche  
Composição: Chris DeGarmo  
Silent Lucidity Lucidez Silenciosa
Hush now, don’t you cry Silêncio agora, não chore,
Wipe away the  Enxugue a lágrima 
teardrop from your eye do seu olho.
You’re lying  Você está deitada 
safe in bed a salvo na cama,
It was all  Foi tudo 
a bad dream um sonho ruim
Spinning  Rodando 
in your head em sua cabeça.
Your mind tricked  Sua mente te enganou 
you to feel the pain para sentir o sofrimento
Of someone close  De alguém próximo a você 
to you leaving abandonando 
the game of life o jogo da vida.
So here it is,  Então aqui está, 
another chance outra chance:
Wide awake  Totalmente desperta, 
you face the day você encara o dia…
Your dream is over…  Seu sonho terminou 
or has it just begun? ou ele apenas começou?
   
There’s a place  Existe um lugar onde 
I like to hide eu gosto de me esconder,
A doorway that I run  Uma porta em que 
through in the night eu adentro à noite.
Relax child, Relaxe criança, 
 you were there você estava lá
But only didn’t realize Mas apenas não percebeu
it and you were scared e ficou assustada.
It’s a place where É um lugar onde
 you will learn você aprenderá
To face your fears, A encarar seus medos,
retrace the years reconstituir os anos
And ride the whims E dominar os caprichos
of your mind  de sua mente,
Commanding in Governando num
another world  outro mundo.
Suddenly  Repentinamente
you hear and see você ouve e percebe
This magic Esta nova 
new dimension dimensão mágica.
   
I will be  Eu estarei 
watching over you cuidando de você,
I am gonna help Eu vou te ajudar
you see it through até o fim.
I will protect you Eu te protegerei
in the night na noite,
I am smiling next to you, Estou sorrindo próximo a você,
in Silent Lucidity numa lucidez silenciosa.
   
[Visualize [Visualize
your dream] seu sonho]
[Record it in  [Grave-o no 
the present tense] tempo presente]
[Put it into a  [Coloque-o dentro de
permanent form] uma forma permanente]
[If you persist [Se você persistir
in your efforts] em seus esforços]
[You can achieve [Você pode conseguir
dream control] o controle do sonho]
[Dream control] [Controle do sonho]
[How’s that [Como ficou então,
then, better?] melhorou?]
[Hug me] [Me abraçe]
   
If you open your Se você abrir sua
mind for me mente para mim,
You won’t rely Você não dependerá de 
on open eyes to see olhos abertos para perceber [que]
The walls you Os muros que você
built within construiu por dentro
Come tumbling down, and Estão desmoronando e
a new world will begin um novo mundo começará
Living twice A viver duplamente
at once you learn logo que você aprenda.
You’re safe from the pain Você está a salvo da dor
in the dream domain no domínio do sonho,
A soul set Uma alma livre
free to fly para voar.
A round trip Uma viagem de ida e volta
journey in your head dentro da sua cabeça,
Master of illusion, Mestre da ilusão,
can you realize você consegue imaginar?
Your dream’s alive, Seu sonho está vivo, 
you can be the guide but… você pode ser a guia mas…
   
I will be watching Eu estarei
over you cuidando de você,
I am gonna help Eu vou te ajudar
to see it through até o fim.
I will protect Eu te protegerei
you in the night na noite,
I am smiling Estou sorrindo
next to you…. próximo a você…

Saudade

Posted in Poesias on Maio 26, 2010 by lapicta

Renasce em mim de novo a esperança
De vagas recordações
Canto o amor em odes
De tristezas absolutas
Luto contra a emoção
E mato a lágrima que percorre
O meu rosto cansado de tanto viver e amar.

Grito mais uma vez a tão Portuguesa palavra saudade
Até as novas descobertas,até findarem as indefinições.
Estou desinteressadamente fatigado dos infinitos
Tudo termina de forma previsível!

Necessito despreocupadamente de amar mais uma vez
De fazer do amor a mais bela doença contagiosa
E matar o pensamento desta saudade
Que me corrompe as entranhas do meu ser.

Não penso mais em olhar para o cèu
Terrivelmente tranquilo.
Prefiro olhar para o mar á minha frente
Sossegadamente ameaçador.

Carlos de Castro Machado

A Marca da Pantera

Posted in Músicas on Maio 25, 2010 by lapicta

A Marca da Pantera é um filme antigo que ainda não assisti…mas quero bastante! encontrei vídeos bem mais legais que o que estou postando…porém o wordpress não comporta eles … =( … triste…

De qlqr maneira,  coloco os links e a letra da Música do David Bowie – que até onde eu saiba é trilha do filme.

http://video.libero.it/app/play?id=46137fc3d5cf2b0f602a5ee5f57edfb4

(gente, não deixem de assistir o link acima!)

Cat People Felina
See these eyes so green Veja estes olhos tão verdes
I can stare  Eu posso olhar
for a thousand years  por mil anos
Colder than the moon Tão frios como a lua
It’s been so long Isso foi há muito tempo
   
Feel my blood enraged Sinto meu sangue gelar
It’s just the fear  É apenas o medo 
of losing you de te perder
   
Don’t you know Você não sabe
my name meu nome
Well, you been  Bem, você se foi 
so long há tanto tempo
   
And I’ve been E eu tenho 
 putting out fire apagado o fogo
With gasoline Com gasolina
   
See these eyes Veja estes olhos
 so red  tão vermelhos
Red like jungle  Vermelhos como o clarão 
burning bright de uma mata queimando
Those who feel Aqueles que 
 me near me sinto perto
Pull the blinds and  Puxe as cortinas e
change their minds mude suas mentes
It’s been  Isso foi a 
so long muito há tempo
   
Still this  Esta noite 
pulsing night ainda pulsa
A plague I call  Uma praga que chamo
a heartbeat de batimentos cardiacos
Just be still Apenas se você 
with me estiver comigo
Ya wouldn’t believe  Você não acreditaria 
what I’ve been thru pelo que passei
You’ve been Você se foi 
so long há tanto tempo
Well it’s been Bem, isso foi
 so long há tanto tempo
And I’ve been putting E eu fui apagar 
out the fire with gasoline o fogo com gasolina
Putting out the fire Apagar o fogo
With gasoline Com gasolina
   
See these tears Veja estas lagrimas
so blue tão azuis
An ageless heart Um coração sem idade 
that can never mend que não tem conserto
These tears  Estas lagrimas 
can never dry nunca podem secar
A judgement made  Um julgamento feito 
can never bend nunca pode mudar
   
See these eyes Veja estes olhos
so green tão verdes
I can stare for Eu posso olhar 
 a thousand years por mil anos
Just be still  Apenas se você 
with me estiver comigo
You wouldn’t believe  Voce não acreditaria 
what I’ve been thru pelo que passei
   
You’ve been Você se foi 
so long há tanto tempo
Well it’s been Bem, isso foi 
so long há muito tempo
And I’ve been putting  E eu fui apagar 
out fire with gasoline o fogo com gasolina
Putting out  Apagar o fogo 
fire with gasoline com gasolina
   
[Been so long] Há tanto tempo
[Been so long] Há tanto tempo
Well, it’s been  Bem, isso foi 
so long há tanto tempo
[Been so long] Há tanto tempo
I’ve been  Eu apaguei 
putting out fire o fogo
[Been so long] Há tanto tempo
Well, it’s been  Bem isso foi 
so long há tanto tempo
[Been so long] Há tanto tempo
I’ve been  Eu apaguei 
putting out fire o fogo
[Been so long] Há tanto tempo
It’s been  Isso foi 
so long há tanto tempo
[Been so long] Há tanto tempo
Putting out fire Apagando o fogo
[Been so long] Há tanto tempo
   
Been so long Há tanto tempo
[So long,  Tanto tempo, 
so long] tanto tempo
Been so long Há tanto tempo
[So long,  Tanto tempo, 
so long] tanto tempo
Been putting out fire Foi apagando o fogo
[Been so long,  Foi há tanto tempo, 
so long, so long] tanto tempo, tanto tempo
Been putting out fire Foi apagando o fogo
[Been so long,  Foi há tanto tempo, 
so long, so long] tanto tempo, tanto tempo
Been so long Ha tanto tempo
   
[Been so long,  Foi há tanto tempo, 
so long, so long] tanto tempo, tanto tempo
Been so long,  Foi há tanto tempo, 
so long, so long] tanto tempo, tanto tempo
I’ve been  Eu fui 
putting out fire apagando o fogo
[Been so long,  Foi há tanto tempo,
so long, so long] tanto tempo, tanto tempo
   
Been putting out fire Apagando o fogo
[Been so long,  Foi há tanto tempo, 
so long, so long] tanto tempo, tanto tempo
Been so long Há tanto tempo
[So long,  Tanto tempo, 
so long] tanto tempo
Been so long Ha tanto tempo
[So long,  Tanto tempo,
so long]  tanto tempo
Been so long Ha tanto tempo
[So long,  Tanto tempo, 
so long] tanto tempo

5 Orações Celtas

Posted in Crenças Tradicionais Européias, Espiritualidade, Reflexões on Maio 25, 2010 by lapicta

I
Bendito seja o anseio que te trouxe aqui e que aviva a tua alma com assombro.
Que tenhas a coragem de acolher o teu anseio eterno.
Que aprecies a companhia crítica e criativa da pergunta “Quem sou eu?”
e que ela ilumine o teu anseio.
Que uma secreta Providência Divina
guie o teu pensamento e proteja o teu sentimento.
Que a tua mente habite a tua vida
com a mesma certeza com que teu corpo se integra ao mundo.
Que a sensação de algo ausente amplie a tua vida.
Que a tua alma seja livre como as sempre renovadas ondas do mar.
Que vivas perto do assombro.
Que te integres ao amor com o arrebatamento da Dança.
Que saibas que estás sempre incluído no benévolo círculo de Deus.

II
Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam.
Que respondas ao chamado do teu Dom e encontre a coragem para seguir-lhe o caminho.
Que a chama da raiva te liberte da falsidade.
Que o ardor do coração mantenha a tua presença flamejante e que a ansiedade jamais te ronde.
Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.
Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.
Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne do assombro.

III
Que atendas ao teu anseio de ser livre.
Que as molduras da tua integração sejam suficientemente amplas para os sonhos da tua alma.
Que te levantes todos os dias com uma voz de bênção murmurando em teu coração que algo de bom te vai acontecer.
Que encontres uma harmonia entre a tua alma e a tua vida.
Que a mansão da tua alma nunca se torne um local assombrado.
Que reconheças o anseio eterno que vive no cerne do tempo.
Que haja benevolência no teu olhar quando contemplares o teu íntimo.
Que nunca coloques muros entre a luz e ti.
Que o teu anjo te liberte das prisões da culpa, medo, decepção e desespero.
Que permitas que a beleza espontânea do mundo invisível te recolha, cuide de ti e te inclua na integração.

IV
Que sejas abençoado nos Nomes Sagrados daqueles que suportam a nossa dor pela montanha da transfiguração acima.
Que conheças o suave abrigo e a graça restauradora quando fores chamado a resistir na morada da dor.
Que os pontos de escuridão no teu íntimo se voltem na direção da luz.
Que te seja concedida a sabedoria de evitar a falsa resistência e, quando o sofrimento bater à porta da tua vida, sejas capaz de lhe vislumbrar a dádiva oculta.
Que sejas capaz de enxergar os frutos do sofrimento.
Que a memória te abençoe e te abrigue com a arduamente obtida luz do esforço passado, que isso te dê confiança e segurança.
Que uma janela de luz sempre te surpreenda.
Que a graça da transfiguração te cure as feridas.
Que saibas que, embora a tempestade possa rugir, nem um fio do teu cabelo será magoado.

V
Que saibas que a ausência está repleta de terna presença e que nada jamais está perdido ou esquecido.
Que as ausências na tua vida estejam repletas de eco eterno.
Que sintas ao redor do secreto “Outro Lugar” que contém as presenças que deixaram a tua vida.
Que sejas forte na aceitação das tuas perdas.
Que a dolorosa fonte de luto se transforme em uma fonte de ininterrupta presença.
Que a tua paixão se estenda àqueles de que nunca temos notícia e que tenhas a coragem de falar em nome de excluídos.
Que venhas a ser o afável e apaixonado sujeito da tua vida.
Que não desrespeites o teu mistério por meio de palavras insensíveis ou integração falsa.
Que sejas acolhido por Deus, em quem o amanhecer e o crepúsculo se unem, e que a tua integração habite os seus sonhos mais profundos no interior do abrigo da Grande Integração.

(Textos extraídos do livro “Ecos Eternos” de John O’Donohue).

Notas: Nota de Wagner Borges: O irlandês John O’Donohue é escritor, pesquisador, poeta e filósofo católico, com Ph.D. em Teologia Filosófica pela Universidade de Tübingen. É autor de dois belos livros sobre a sabedoria celta: “Anam Cara” e “Ecos Eternos”, ambos publicados no Brasil pela Editora Rocco. Por diversas vezes, ajudei pessoas com problemas de baixa auto-estima e vazio existencial simplesmente indicando a leitura desses dois livros. O seu autor fala direto ao coração e enche a alma do leitor daquela beleza vital e amor pela vida dos celtas antigos, que valorizavam o gosto pelas coisas da natureza e a fluência dos sentimentos verdadeiros expressados no cotidiano. Vale a pena ler esse material celta inspirado.

Selo

Posted in dia_a_dia on Maio 24, 2010 by lapicta

ganhei um selo da Chris! Obrigada querida!

Agora preciso descobrir como coloco ele aqui do ladinho.

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