Arquivo de Maio 10, 2010

Na Ilha por vezes habitada

Posted in Poesias, Reflexões on Maio 10, 2010 by lapicta

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade,
e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres,
com a paz e o sorriso de quem se reconhece
e viajou à roda do mundo infatigável,
porque mordeu a alma até aos ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

José Saramago

O canto da mulher selvagem – Ricardo Kelmer

Posted in Reflexões on Maio 10, 2010 by lapicta

A Patrícia Fox disponibilizou esse texto no Buzz … achei bem interessante e replico aqui.


Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível… mas que também agride o olhar. É um tipo raro e não tem habitat definido: vive em Catmandu, mora no prédio ao lado ou se mudou ontem para Barroquinha. E não deixou o endereço. É ela, a mulher selvagem.

Em quase tudo ela é uma mulher comum: pega metrô lotado, aproveita as promoções, bota o lixo para fora e tem dia que desiste de sair porque se acha um trapo. Porém em tudo que faz exala um frescor de liberdade. E também dá arrepios: você tem a impressão que viu uma loba na espreita. Você se assusta, olha de novo… e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim. É a mulher selvagem.

A sociedade tenta mas não pode domesticá-la, ela se esquiva das regras. Quando você pensa que capturou, escapole feito água entre os dedos. Quando pensa que finalmente a conhece, ela surpreende outra vez. Tem a alma livre e só se submete quando quer. Por isso escolhe seus parceiros entre os que cultuam a liberdade. E como os reconhece? Como toda loba, pelo cheiro, por isso é bom não abusar de perfumes. Seu movimento tem graça, o olhar destila uma sensualidade natural… mas, cuidado, não vá passando a mão. Ela é um bicho, não esqueça. Gosta de afago mas também arranha.

Repare que há sempre uma mecha teimosa de cabelo: é o espírito selvagem que sopra em sua alma a refrescante sensação de estar unida à Terra. É daí que vem sua força e beleza. E sua sabedoria instintiva. Sim, ela é sábia pois está em harmonia com os ritmos da Natureza. Por isso conhece a si mesma, sabe dos seus ciclos de crescimento e não sabota a própria felicidade. Como todo bicho ela respeita seu corpo mas nem sempre resiste às guloseimas. Riponga do mato, gabriela brejeira? Não necessariamente, a maioria vive na cidade. E há dias paquera aquele pretinho básico da vitrine. E adora dançar em noite de lua. Ah, então é uma bruxa… Talvez, ela não liga para rótulos. Sabe que a imensidão do ser não cabe nas definições.

Mulheres gostam de fazer mistério. Ela não, ela é o mistério. Por uma razão simples: a mulher selvagem sabe que a vida é uma coisa assombrosa e perfeita e viver é o mais sagrado dos rituais. Ela sente as estações e se movimenta com os ventos, rindo da chuva e chorando com os rios que morrem. Coleciona pedrinhas, fala com plantas e de uma hora para outra quer ficar só, não insista. Não, ela não é uma esotérica deslumbrada mas vive se deslumbrando: com as heroínas dos filmes, aquela livraria nova, um presente inesperado… Ela se apaixona, sonha acordada e tem insônia por amor. As injustiças do mundo a angustiam mas ela respira fundo e renova sua fé na humanidade. Luta todos os dias por seus sonhos, adormece em meio a perguntas sem respostas e desperta com o sussurro das manhãs em seu ouvido, mais um dia perfeito para celebrar o imenso mistério de estar vivo.

Ela equilibra em si cultura e natureza, movendo-se bela e poética entre os dois extremos da humana condição. Ela é rara, sim, mas não é uma aberração, um desvio evolutivo. Pelo contrário: ela é a mais arquetípica e genuína expressão da feminilidade, a eterna celebração do sagrado feminino. Ela está aí nas ruas, todos os dias. A mulher selvagem ainda sobrevive em todas as mulheres mas a maioria tem medo e a mantém enjaulada. Ela é o que todas as mulheres são, sempre foram, mas a grande maioria esqueceu.

Felizmente algumas lembraram. Foram incompreendidas, sim, mas lamberam suas feridas e encontraram o caminho de volta à sua própria natureza. Esta crônica é uma homenagem a ela, a mulher selvagem, o tipo que fascina os homens que não têm medo do feminino. Eles ficam um pouco nervosos, é verdade, quando de repente se vêem frente a frente com um espécime desses. Por isso é que às vezes sobem correndo na primeira árvore. Mas é normal. Depois eles descem, se aproximam desconfiados, trocam os cheiros e aí… Bem, aí a Natureza sabe o que faz.

Broken, Beat and Scarred – Metallica

Posted in Músicas on Maio 10, 2010 by lapicta

Eu quase perdi a garganta esse começo de ano no show deles qdo tocaram essa música…

Sou fanática por Metallica…FANÁÁÁÁTICA, rs.

Adoro…me identifico tb… pq eu sou resistente a tudo… cheia de cicatrizes…mas, como diz a música… “but we die hard”

Composição: Hetfield / Ulrich / Hammett / Trujillo

Broken, Beat And Quebrado, Espancado
Scarred e Cicatrizado
You rise. Você se ergue
You fall. Você cai
You’re down, Você cai, então
then you rise again. se ergue de novo
What don’t kill ya O que não te mata
make ya more strong. te torna mais forte
Rise, fall, down, Levanta, cai, derrubado,
rise again se ergue novamente
What don’t kill ya O que não te mata
make ya more strong. te torna mais forte
Rise, fall, down, Levanta, cai,
rise again se ergue novamente
What don’t kill ya O que não te mata
make ya more strong. te torna mais forte
Through black days Através de dias negros
Through black nights Através de noites negras
Through pitch Através de
black insides pensamentos negros
Breaking your teeth Se quebrando em uma vida
on the hard life comin’. dura que está chegando
Show your scars. Mostre suas cicatrizes
Cutting your feet on Cortando seu pé em
the hard earth runnin’. uma terra dura, correndo
Show your scars. Mostre suas cicatrizes
Breaking your life, Quebrando sua vida, quebrado,
broken, beat and scarred espancado e cicatrizado
But we die hard. Mas nós persistimos
The dawn, A aurora
The death, A morte
The fight to the final A luta pelo último
breath. suspiro
What don’t kill ya O que não te mata
make ya more strong. te torna mais forte
Dawn, death, Aurora morte luta
fight, final breath. suspiro final
What don’t kill ya O que não te mata
make ya more strong. te torna mais forte
Dawn, death, Aurora morte luta
fight, final breath. suspiro final
What don’t kill ya O que não te mata
make ya more strong. te torna mais forte
They scratch me Eles me arranharam
They scrape me Eles me despedaçaram
They cut and Eles me cortaram e
rape me me estupraram
Breaking your teeth Se quebrando em uma vida
on the hard life comin’. dura que está chegando
Show your scars. Mostre suas cicatrizes
Cutting your feet on Cortando seu pé em
the hard earth runnin’. uma terra dura, correndo
Show your scars. Mostre suas cicatrizes
Breaking your life, Quebrando sua vida, quebrado,
broken, beat and scarred espancado e cicatrizado
But we die hard Mas nós persistimos
Breaking your teeth on Se quebrando em uma
the hard life comin’. vida dura que está chegando
Show your scars. Mostre suas cicatrizes
Cutting your feet on Cortando seu pé em
the hard earth runnin’. uma terra dura, correndo
Show your scars. Mostre suas cicatrizes
Bleeding your soul in Entrançando sua alma em
a hard luck story. uma história sem sorte
Show your scars. Mostre suas cicatrizes
Spilling your blood in Espalhando seu sangue
the hot sun’s glory. na glória do sol quente
Show your scars. Mostre suas cicatrizes
Breaking your life, Quebrando sua vida, quebrado,
broken, beat and scarred espancado e cicatrizado
We die hard. Nós persistimos
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