Arquivo de Outubro, 2010

Pink Floyd – On The Turning Away

Posted in Músicas, Reflexões on Outubro 26, 2010 by lapicta

On The Turning Away

On the turning away
From the pale and downtrodden
And the words they say
Which we won’t understand
“Don’t accept that what’s happening
Is just a case of others’ suffering
Or you’ll find that you’re joining in
The turning away”
It’s a sin that somehow
Light is changing to shadow
And casting it’s shroud
Over all we have known
Unaware how the ranks have grown
Driven on by a heart of stone
We could find that we’re all alone
In the dream of the proud
On the wings of the night
As the daytime is stirring
Where the speechless unite
In a silent accord
Using words you will find are strange
And mesmerised as they light the flame
Feel the new wind of change
On the wings of the night
No more turning away
From the weak and the weary
No more turning away
From the coldness inside
Just a world that we all must share
It’s not enough just to stand and stare
Is it only a dream that there’ll be
No more turning away?

Ao Virar as Costas

Ao virar as costas
Aos pálidos e oprimidos
E as palavras que dizem
Que não iremos entender
Não aceite o que acontece
é só um caso do sofrimento alheio
ou você perceberá que está se juntando
Ao virar as costas
É um pecado que de alguma forma
A luz esteja indo para sombra
E jogando sua mortalha
Em tudo que sabemos
Não sabendo como os níveis aumentaram
Levados por um coração de pedra
Perceberíamos que estamos todos sozinhos
no sonho dos orgulhosos
Nas asas da noite
Enquanto os dias tremem
Onde os calados se unem
Num acorde silencioso
Usando palavras que você achará estranhas
E fascinado como eles acendem a chama
Sinta o novo vento da mudança
Nas asas da noite
Não mais dar as costas
Ao fraco e ao exausto
Não mais dar as costas
À frieza interior
Apenas um mundo que todos nós devemos dividir
Não é suficiente parar e olhar
É apenas um sonho onde não haverá
mais viradas de costas?

Bernardo Soares

Posted in Literatura, Poesias, Reflexões on Outubro 20, 2010 by lapicta

“O coração, se pudesse pensar, pararia. (…)

Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.

Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também.”

Livro do Desassossego por Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)

Rimbaud

Posted in Folclore, Literatura, Poesias on Outubro 7, 2010 by lapicta

Antique
 
Gracieux fils de Pan!
Autour de ton front couronné de fleurettes et de baies, tes yeux, des boules précieuses, remuent.
Tachées de lies brunes, tes joues se creusent.
Tes crocs luisent.
Ta poitrine ressemble à une cithare, des tintements circulent dans tes bras blonds.
Ton coeur bat dans ce ventre où dort le double sexe.
Promène-toi, la nuit, en mouvant doucement cette cuisse, cette seconde cuisse et cette jambe de gauche.

Antigo

Gracioso filho de Pan!
Ao redor de tua fronte coroada com flores e frutos silvestres, teus olhos, preciosas esferas, se volteiam.
Sujas de manchas escuras, tuas faces se aprofundam.
Tuas presas reluzem.
Teu peito se assemelha a uma cítara, zumbidos transitam em teus louros braços.
Teu coração palpita nesse ventre onde dorme o duplo sexo.
Passeie, à noite, movendo suavemente essa coxa, a segunda coxa, essa perna canhestra.

Les Illuminations – Arthur Rimbaud

(Tradução: Denise Demange)

Madredeus – Coisas Pequenas

Posted in Músicas, Reflexões on Outubro 6, 2010 by lapicta
Madredeus
Coisas Pequenas
Composição: Pedro Ayres Magalhães
Coisas pequenas são
Coisas pequenas
São tudo o que eu te quero dar
E estas palavras são
Coisas pequenas
Que dizem que eu te quero amar.

Amar, amar, amar
Só vale a pena
Se tu quiseres confirmar
Que um grande amor não é
Coisa pequena
Que nada é maior que amar.

E a hora
Que te espreita
É só tua.
Decerto, nao será
Só a que resta;
A hora
Que esperei a vida toda,
É esta.

E a hora
Que te espreita
É derradeira.
Decerto já bateu
À tua porta.
A hora
Que esperaste a vida inteira,
É agora.

Madredeus – As Cores do Sol

Posted in Músicas, Reflexões on Outubro 6, 2010 by lapicta
As Cores do Sol
Madredeus
Ao cair da tarde
Penso sempre mais
E a luz que me invade
São as cores naturais

Cada figura
que passa por mim
nem me perturba
e eu fico assim

Longe me leva este silêncio
e o sentir que se altera
são as cores do sol

E eu fico encantada
e eu sinto-me a arder
quando o dia se apaga
fica tanto por ver

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