Arquivo de Março, 2011

Osho – o Saber além da Lógica

Posted in Espiritualidade, Músicas, Reflexões on Março 31, 2011 by lapicta

Para pensar…

Ao som de Portishead.

Rainer Maria Rilke – Dançarina Espanhola

Posted in Folclore, Poesias on Março 24, 2011 by lapicta

Como um fósforo a arder antes que cresça
a flama, distendendo em raios brancos
suas línguas de luz, assim começa
e se alastra ao redor, ágil e ardente,
a dança em arco aos trêmulos arrancos.

E logo ela é só flama, inteiramente.

Com um olhar põe fogo nos cabelos
e com arte sutil dos tornozelos
incendeia também os seus vestidos
de onde, serpentes doidas, a rompê-los,
saltam os braços nus com estalidos.

Então como se fosse um feixe aceso,
colhe o fogo num gesto de desprezo,
atira-o bruscamente no tablado
e o contempla. Ei-lo ao rés do chão, irado,
a sustentar ainda a chama viva.
Mas ela, do alto, num leve sorriso
de saudação, erguendo a fronte altiva,
pisa-o com seu pequeno pé preciso.

Tudo Joinha!

Posted in Curiosidades on Março 24, 2011 by lapicta

William Blake

Posted in Espiritualidade, Literatura, Poesias, Reflexões on Março 21, 2011 by lapicta

O PREÇO DA EXPERIÊNCIA

Qual é o preço da experiência? Os homens a adquirem com uma canção?
Ganham sabedoria dançando nas ruas? Não, ela é comprada pelo preço
De tudo que um homem tem, sua moradia, sua esposa, seus filhos.
A sabedoria é vendida num mercado sombrio onde ninguém vem comprar,
E no campo infecundo que o fazendeiro lavra em vão por seu pão.

É fácil vencer sob o sol do verão
E na colheita cantar na carroça abarrotada de grãos.
É fácil dizer da cautela aos aflitos,
Falar das leis da prudência ao andarilho sem abrigo,
Ouvir o grito faminto do corvo na estação invernal
Quando o sangue vermelho mistura-se ao vinho e ao tutano do cordeiro

É tão fácil sorrir perante a ira da natureza,
Ouvir o uivo do cão ante a porta no inverno, e o boi mugindo no matadouro;
Ver um deus em cada brisa e uma bênção em cada tempestade.
Ouvir o som do amor no raio que arruína a casa do inimigo;

Regozijar-se diante da praga que toma o seu campo, e da doença que ceifa seus filhos,
Enquanto nossas oliveiras e nosso vinho cantam e riem na frente da porta,
e nossos filhos nos trazem frutas e flores.
Então o lamento e a dor estão quase esquecidos, assim como o escravo que roda o moinho,

E o escravo acorrentado, o pobre prisioneiro, e o soldado no campo de batalha
Quando os ossos quebrados deixam-no gemendo à espera da morte feliz.
É fácil regozijar-se sob a tenda da prosperidade:
Eu poderia cantar e me regozijar dessa maneira: mas eu não sou assim.

William Blake 



Vale Mais Ser Amado ou Temido?

Posted in Literatura, Reflexões on Março 15, 2011 by lapicta

 

Vale mais ser amado ou temido ? O ideal é ser as duas coisas, mas como é difícil reunir as duas coisas, é muito mais seguro – quando uma delas tiver que faltar – ser temido do que amado. Porque, dos homens em geral, se pode dizer o seguinte: que são ingratos, volúveis, fingidos e dissimulados, fugidios ao perigo, ávidos do ganho. E enquanto lhes fazeis bem, são todos vossos e oferecem-vos a família, os bens pessoais, a vida, os descendentes, desde que a necessidade esteja bem longe. Mas quando ela se avizinha, contra vós se revoltam. E aquele príncipe que tiver confiado naquelas promessas, como fundamento do ser poder, encontrando-se desprovido de outras precauções, está perdido. É que as amizades que se adquirem através das riquezas, e não com grandeza e nobreza de carácter, compram-se, mas não se pode contar com elas nos momentos de adversidade. Os homens sentem menos inibição em ofender alguém que se faça amar do que outro que se faça temer, porque a amizade implica um vínculo de obrigações, o qual, devido à maldade dos homens, em qualquer altura se rompe, conforme as conveniências. O temor, por seu turno, implica o medo de uma punição, que nunca mais se extingue. No entanto, o príncipe deve fazer-se temer, de modo que, senão conseguir obter a estima, também não concite o ódio.

Nicolo Maquiavel, in ‘O Príncipe’

Clann an Drumma – Ravens

Posted in Espiritualidade, Músicas on Março 14, 2011 by lapicta

nem tanto pelo vídeo…mas principalmente pela música.

Uma Homenagem a Cadu Garcia

Posted in Uncategorized on Março 11, 2011 by lapicta

 

Nessa volta de carnaval, soube de um menino muito querido que partiu… na verdade, covardemente assassinado.

Apesar de fazer um bom tempo que não o via e não ser amiga próxima, guardo memórias de seu jeito doce e gentil, de seus olhos sonhadores.

Fica a dor e a saudade a nós que estamos desse lado do Véu…na Vida.

Cadu,  que sua Travessia tenha  sido Plena como acredito que foi. Para honrar  o carinho que me vem quando lembro de você, posto algo do seu blog (http://br.cadugarcia.com/)

QUEM SOU EU

Eu rio de coisa séria, me apaixono por deuses e danço em funerais.
Acho comédias tediantes e acho as estrelas muito mais bonitas que os fogos de artifício.
Eu gosto de pensar sobre o lado escuro da lua, gosto de sentir o vento gelado passando pela minha pele.
Violo a privacidade do olhar, perturbo a tranquilidade dos lábios e bagunço os cabelos.
Eu sou poesia, música e dança.
Eu sou os medos alheios, os desejos e prazeres escondidos.
Eu não sou paz, sou a tempestade que lava o mundo e a traz.

CADU GARCIA

Carmina Burana ~ O Fortuna – Carl Orff

Posted in Espiritualidade, Músicas, Poesias on Março 10, 2011 by lapicta

Fonte: (http://www.spectrumgothic.com.br/musica/carmina.htm)

   CARMINA BURANA

“Cantiones profanæ cantoribus et choris
cantandæ comitantibus instrumentis atque imaginibus magicis”

Carl Orff                

 

Manuscritos no Mosteiro
 

Carmina Burana é uma cantata cênica de poesias latinas medievais, pretendida para ser representada e dançada, posta sobre textos em baixo latim e baixo alemão, os quais foram extraídos de uma colocação de duzentas peças poéticas diversas compiladas pelo final do século XIII.

A palavra Carmina é o plural de Carmen (em português, Canção). O título inteiro significa literalmente: Canções dos Beurens; esta última palavra se refere ao fato de que os textos escolhidos para esta cantata secular foram descobertos em 1803 em um velho mosteiro beneditino da Baviera, em Benediktbeuren, no sudoeste da Alemanha.

Esta cantata é emoldurada por um símbolo da Antigüidade, o conceito da Roda da Fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte.

É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. E assim o apelo em coral à Deusa da Fortuna (O Fortuna, Velut Luna) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três seções: o encontro do Homem com a Natureza, particularmente com a Natureza despertando na primavera (Veris eta facies). Seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho (In taberna); e seu encontro com o Amor (Amor volat undique).

A maioria dos mais de duzentos poemas sacros e seculares remonta ao século XIII e foi escrita por um grupo profano de errantes chamados Goliardos. Estes monges e menestréis desgarrados passavam o seu tempo deliciando-se com os prazeres da carne e os poemas que eles deixaram, faziam a crônica de suas obsessões por vezes ao ponto da obscenidade.

Este manuscrito abrange todos os gêneros, de versificação erudita à paródias de textos sacros, incluindo canções de amor e melodias irreverentes e até grosseiras. O fato de que o texto original destes Poemas de Benediktbeuren seja executada hoje em dia com tão extraordinário sucesso artístico, permite ao ouvinte discernir ainda melhor as intenções de Orff onde sua música não se expressa claramente.

Como uma antologia, Carmina Burana apresenta tudo o que o mundo cristão entre os séculos XI e XII fora capaz de exprimir. Aquela época não foi secionada como a nossa, nem inibida pelos nossos tabus. Assim, os autores anônimos dessas saturnálias escritas não temiam espalhar a chama incandescida pelo contato inesperado de uma melodia litúrgica e uma blasfêmia, mais precisamente um priapismo verbal, ou inversamente de uma nova melodia profana e uma profissão de fé.

Neste sentido, a coleção original restaura para nós, todo um cosmo onde o Bem não existe sem o Mal, o sacro sem o profano e a fé sem maldições e dúvidas: a oscilação onde se encontra a grandeza da Humanidade.

A dialética freudiana foi necessária para a redescoberta deste humanismo medieval até então considerada bárbara e cruel; uma vitalidade que permitiu ao homem sobreviver ao sofrimento da guerra, o mundo infestado pela praga em que ele era submetido à injustiça, à instabilidade, e mantido na ignorância de tudo que não fosse santificado pelo dogma. Sabemos que insultos dirigidos contra a autoridade, palavras ofensivas e blasfêmias que temperavam de maneira acre a expressão dessa energia vital eram herdadas do mundo antigo e chegaram ao começo do renascimento na tradição dos Carnavais e Triunfos que Lorenzo de Medicis e Rabelais ilustrariam, cada qual por sua vez.

Esta genealogia espiritual era tão familiar a Orff que ele concebeu Carmina Burana como apenas o primeiro elemento de uma trilogia intitulada Trionfi-Trittico Teatrale, que incluiria Catulli Carmina (1943) e Trionfi dell’Afrodite (1952), uma obra que revelou a significação do todo: só o Desejo e o Amor podem capacitar o Homem a viver, lutar e crer.

Fortuna

O fortuna
velut luna
statu variabilis.
semper crescis
aut decrescis
vita detestabilis
nunc obdurat
et tunc curat
ludo mentis aciem:
egestatem
potestatem
dissolvit ut glaciem.

Sors immanis
et inanis
rota tu volubilis,
status malus,
vana salus,
semper dissolubilis;
obumbrata
et velata
michi quoque niteris;
nunc per ludum
dorsum nudum
feto tui sceleris.
Sors salutis
et virtutis
nichi nunc contraria
est affectus
et defectus
semper in angaria
hac in hora
sine mora corde pulsun tangite,
quod per sortem
sternit fortem
omnes mecum plangite.

O Fortuna

Ó fortuna
variável
como a lua
cresces sempre
ou diminuis,
detestável vida!
hoje maltratas
amanhã lisonjeias
brincas com os nossos sentidos
a miséria
o poder
fundem como gelo em ti.

Destino cruel
e vão
roda que giras
a tua natureza é perversa
a tua felicidade vã
sempre a dissipar-se
pela sombra
e em segredo
aproximas-te de mim
apresento o meu dorso nu
ao jogo da tua
perversidade.

Felicidade
e virtude
são-me agora contrárias;
afeções
e derrotas
estão sempre presentes.
Nesta hora sem demora
pulsai as cordas
pois que o bravo, derrubado
pelo destino
chorai todos comigo

As palavras que nunca te direi

Posted in Reflexões on Março 8, 2011 by lapicta

Esse feriado eu estive em reclusão (cansaço e me recuperando de uma crise alérgica).

Daí que assisti a um monte de filmes mais antigos…foi bem legal. Um deles, em que eu havia pensado muito uns dias atrás, foi esse… Message in a Bottle (título em inglês), As Palavras Que Nunca Te Direi (Portugal) e que no Brasil se chama Uma Carta de Amor.

A primeira vez que assisti esse filme eu era muito nova e não percebi uma porção de coisas que percebi depois…enfim, pra alguns pode ser beeeeem méla, risos, mas as cartas relatadas, em especial essa do vídeo, são lindíssimas.

Parabéns a todas nós, Mulheres!

Posted in Músicas on Março 8, 2011 by lapicta

Luz Del Fuego

Rita Lee

Eu hoje represento a loucura
Mais o que você quiser
Tudo que você vê sair da boca
De uma grande mulher
Porém louca!

Eu hoje represento o segredo
Enrolado no papel
Como luz del fuego
Não tinha medo
Ela também foi pro céu, cedo!

Eu hoje represento uma fruta
Pode ser até maçã
Não, não é pecado,
Só um convite
Venha me ver amanhã
Mesmo!

Amanhã! amanhã! amanhã!…

Eu hoje represento o folclore
Enrustido no metrô
Da grande cidade que está com pressa
De saber onde eu vou
Sem essa!

Eu hoje represento a cigarra
Que ainda vai cantar
Nesse formigueiro quem tem ouvidos
Vai poder escutar
Meu grito!

Eu hoje represento a pergunta
Na barriga da mamãe
E quem morre hoje, nasce um dia
Pra viver amanhã
E sempre!

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