Arquivo de Agosto, 2011

Andares – Hermann Hesse

Posted in Literatura, Poesias, Reflexões on Agosto 23, 2011 by lapicta

 

Andares

Como emurchece toda flor, e toda idade
juvenil cede à senil – cada andar da vida
floresce, qual a sabedoria e a virtude,
a seu tempo, e não há de durar para sempre.

A cada chamado da vida o coração
deve estar pronto para a despedida e para
novo começo, com ânimo e sem lamúrias,
aberto sempre para novos compromissos.
Dentro de cada começar mora um encanto
que nos dá forças e nos ajuda a viver.

Devemos ir contentes, de um lugar a outro,
sem apegar-nos a nenhum como a uma pátria:
não nos quer atados, o espírito do mundo
– quer que cresçamos, subindo andar por andar.
Mal a um tipo de vida nos acomodamos
e habituamos, cerca-nos o abatimento.

Só quem se dispõe a partir e a ir em frente
pode escapar à rotina paralisante.
É bem possível que a hora da morte ainda
de novos planos ponha-nos na direção:
para nós, não tem fim o chamado da vida…
Saúda, pois, e despede-te, coração!

(de “Andares”, 1961)

 

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Um – Silêncio

Posted in Espiritualidade, Poesias, Reflexões on Agosto 23, 2011 by lapicta

 

 Sim, One


O que sinto , a língua não fala.
Há uma dor que não tem nome.
Musgo de abismo que o sopro
da voz alcança e macera.
Don’t let me be misunderstood.
I don’t want to be alone.

 

 Silêncio

De pedra ser.
Da pedra ter
o duro desejo de durar.
Passem as legiões
com seus ossos expostos.
Chorem os velhos
com casacos de naftalina.
A nave branca chega ao porto
e tinge de vinho o azul do mar.
O maciço de rocha,
de costas para a cidade
sete vezes destruída,
celebra o silêncio.
A pedra cala
o que nela dói.

Donizete Galvão

Posted in Etnografia, Folclore, Músicas on Agosto 19, 2011 by lapicta

Zé Ramalho – Canção Agalopada

Posted in Espiritualidade, Músicas, Poesias, Reflexões on Agosto 18, 2011 by lapicta

Foi um tempo que o tempo não esquece
Que os trovões eram roncos de se ouvir
Todo o céu começou a se abrir
Numa fenda de fogo que aparece
O poeta inicia sua prece
Ponteando em cordas e lamentos
Escrevendo seus novos mandamentos
Na fronteira de um mundo alucinado
Cavalgando em martelo agalopado
E viajando com loucos pensamentos

Sete botas pisaram no telhado
Sete léguas comeram-se assim
Sete quedas de lava e de marfim
Sete copos de sangue derramado
Sete facas de fio amolado
Sete olhos atentos encerrei
Sete vezes eu me ajoelhei
Na presença de um ser iluminado
Como um cego fiquei tão ofuscado
Ante o brilho dos olhos que olhei

Pode ser que ninguém me compreenda
Quando digo que sou visionário
Pode a bíblia ser um dicionário
Pode tudo ser uma refazenda
Mas a mente talvez não me atenda
Se eu quiser novamente retornar
Para o mundo de leis me obrigar
A lutar pelo erro do engano
Eu prefiro um galope soberano
À loucura do mundo me entregar

Marisa Monte – Negro Gato

Posted in Músicas on Agosto 17, 2011 by lapicta

MEOW… 😉

Siouxsie & the Banshees – Face To Face

Posted in Músicas on Agosto 16, 2011 by lapicta

Face To Face

Face to face, my lovely foe
Mouth to mouth, raining heaven’s blows
Hand on heart, tic tac toe
Under the stars, naked as we flow
Cheek to cheek, the bitter sweet
Commit your crime in your deadly time
It’s too divine, I want to bend
I want this bliss but something says I must resist
Another life, another time
We’re siamese twins writhing intertwined
Face to face, no telling lies
The masks they slide to reveal a new disguise
You never can win, it’s the state I’m in
This danger thrills and my conflict kills
They say follow your heart, follow it through
But how can you when you’re split in two?
And you’ll never know
You’ll never know
You’ll never know
One more kiss before we die
Face to face and dream of flying
Who are you? who am I?
Wind in wings, two angels falling
To die like this with a last kiss
It’s falsehood’s flame, it’s a crying shame
Face to face, the passions breathe
I hate to stay but then I hate to leave
And you’ll never know
No, you’ll never know
You’ll never know
You’ll never know
You’ll never know
No, you’ll never know
No, you’ll never know
You’ll never know
You’ll never know
You’ll never know

Cara A Cara

Cara a cara, meu adorável inimigo
Boca a boca, sopros de um céu em chuva
Mão no coração, tic tac toe
Sob as estrelas, nus enquanto flutuamos
De rosto colado, o doce amargo
Comete seu crime em sua hora mortal
É tão divino, eu quero me entregar
Quero esta alegria mas algo me diz que devo resistir
Uma outra vida, um outro tempo
Nós somos gêmeos siameses nos contorcendo
Cara a cara, sem mentiras
As máscaras caem para revelar um novo disfarce
Você nunca pode vencer, é o estado em que estou
O perigo excita e o meu conflito mata
Dizem para seguir seu coração, segui-lo até o final
Mas como você pode fazê-lo quando está dividido em dois?
E você nunca saberá
Você nunca saberá
Você nunca saberá
Mais um beijo, antes de morrermos
Cara a cara e sonhando em voar
Quem é você? Quem sou eu?
Vento sob as asas, dois anjos caindo
Morrer assim com um último beijo
É uma chama de falsidade, é uma pena
Cara a cara, as paixões respiram
Eu odeio ficar, mas, então, odeio ir embora
E você nunca saberá
Você nunca saberá
Você nunca saberá
Você nunca saberá
Você nunca saberá
E você nunca saberá
Você nunca saberá
Você nunca saberá
Você nunca saberá
Você nunca saberá

Posted in Espiritualidade, Reflexões on Agosto 15, 2011 by lapicta

Entre todos os elementos, o Sábio tomaria a água como seu preceptor. A água é submissa, mas conquista tudo. A água extingue o fogo ou, vendo que pode ser derrotada, escapa como vapor e toma nova forma. A água carrega a terra macia ou, quando desafiada pelas rochas, procura um caminho em torno… Satura a atmosfera de modo que o vento morre. A água cede passagem aos obstáculos com uma humildade enganadora, pois nenhum poder pode impedi-la de seguir seu caminho traçado rumo ao mar. A água conquista submetendo-se, nunca ataca, mas sempre ganha a última batalha.”

Roda da Vida – John Blofeld

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