Archive for the Enteogenia Category

Massive Attack – Teardrop

Posted in Enteogenia, Reflexões on Setembro 24, 2012 by lapicta

Gota de Lágrima

Amar, amar é um verbo
  Amar é uma palavra em movimento
  Destemido em minha respiração
  Impulsão gentil
Mexe comigo e me deixa mais leve
  Destemido em minha respiração
Gota de lágrima no fogo
  Destemida em minha respiração
Noite, noite da matéria
  Flores negras desfloram
  Destemidas em minha respiração
  Flores negras desfloram
  Destemidas em minha respiração
Gota de lágrima no fogo
  Destemida em minha respiração
A água é meu olho
  Espelho mais fiel
  Destemido em minha respiração
  Gota de lágrima no fogo da confissão
  Destemida em minha respiração
  Espelho mais fiel
  Destemido em minha respiração
Gota de lágrima no fogo
  Destemida em minha respiração
Você está tropeçando um pouco
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Beatles – Lucy in the Sky…

Posted in Enteogenia, Músicas on Junho 1, 2010 by lapicta

sugestivo… será que alguém acredita em mera coincidência? rs…

Lucy In The Sky Lucy No Céu
With Diamonds Com Diamantes
   
Picture yourself Depara-se consigo mesmo
in a boat on a river  em um barco em um rio
With tangerine trees com árvores de tangerina
and marmalade skies e céus de marmelada
Somebody calls you, Alguém te chama, você responde
you answer quite slowly  muito lentamente
A girl with  Uma garota com 
kaleidoscope eyes olhos de caleidoscópio
   
Cellophane flowers Flores de celofane 
of yellow and green amarelas e verdes
Towering over sobressaindo 
 your head sobre sua cabeça
Look for the girl with  Procura pela garota com 
the sun in her eyes o sol em seus olhos
And she’s gone E ela se foi
   
Lucy in the sky Lucy no céu
with diamonds com diamantes
Lucy in the sky Lucy no céu
with diamonds com diamantes
Lucy in the sky Lucy no céu
with diamonds com diamantes
   
Follow her down to a Segue-a até uma ponte
bridge by a fountain através de uma fonte
Where rocking horse people  Onde pessoas de pedra à cavalo 
eat marshmallow pies comem tortas de marshmallow
Everyone smiles as you  Todos sorriem enquanto você 
drift past the flowers é levado através das flores
That grow so  isso cresce tão 
incredibly high inacreditavelmente
   
Newspaper taxis  Taxis de jornal aparecem 
appear on the shore à margem do rio
Waiting to take Esperando pra
you away levar você
Climb in the back with  Sobe na traseira com 
your head in the clouds sua cabeça nas nuvens
And you’re gone E você se foi
   
Lucy in the sky  Lucy no céu 
with diamonds com diamantes
Lucy in the sky  Lucy no céu 
with diamonds com diamantes
Lucy in the sky  Lucy no céu 
with diamonds com diamantes
   
Picture yourself Depara-se consigo mesmo
on a train in a station em um trem numa estação
With plasticine porters  Com portadores de massa
with looking glass ties de modelar com gravatas de vidro
Suddenly someone is De repente alguém
there at the turnstile está lá na catraca
The girl with  A garota com
kaleidoscope eyes olhos de caleidoscópio
   
Lucy in the sky Lucy no céu
with diamonds com diamantes
Lucy in the sky Lucy no céu 
with diamonds com diamantes
Lucy in the sky Lucy no céu
with diamonds com diamantes
   
Lucy in the sky Lucy no céu
with diamonds com diamantes
Lucy in the sky Lucy no céu
with diamonds com diamantes
Lucy in the sky Lucy no céu
with diamonds com diamantes
   
Lucy in the sky Lucy no céu
with diamonds com diamantes
Lucy in the sky Lucy no céu
with diamonds com diamantes
Lucy in the sky Lucy no céu
with diamonds com diamantes

White Rabbit – Jefferson Airplane

Posted in Enteogenia, Espiritualidade, Músicas, Xamanismo on Maio 21, 2010 by lapicta

E de pensar que ainda tem gente que acredita que Alice no País das Maravilhas é História Infantil…quero ver se quem acha isso, depois de ouvir a maravilhosa música de Jefferson Airplane ainda vai manter a mesma opinião. Aliás, o filme foi bom…versão bem diferente da anterior.

White Rabbit

One pill makes you larger
And one pill makes you small,
And the ones that mother gives you
Don’t do anything at all.
Go ask Alice
When she’s ten feet tall.
And if you go chasing rabbits,
And you know you’re going to fall,
Tell ‘em a hookah-smoking caterpillar
Has given you the call.
Call Alice
When she was just small.
When the men on the chessboard
Get up and tell you where to go,
And you’ve just had some kind of mushroom
And your mind is moving low,
Go ask Alice;
I think she’ll know.
When logic and proportion
Have fallen sloppy dead,
And the White Knight is talking backwards
And the Red Queen’s “off with her head!”
Remember what the dormouse said:
“Feed your head. Feed your head. Feed your head”

Coelho Branco

Uma pílula deixa você grande
E uma pílula deixa você pequeno
E aquelas que a sua mãe lhe dá
Não fazem efeito algum.
Pergunte à Alice
Quando ela estiver alta
E se você for caçar coelhos,
E souber que irá falhar,
Mostre a eles que uma lagarta fumando “Narguilé”
Tem feito o chamado para você.
Chame a Alice
Quando ela estiver apenas pequena.
Quando os homens no tabuleiro de xadrez
Levantarem e lhe disserem onde ir,
E você consumira há pouco um tipo de cogumelo
E sua mente estiver movendo-se lentamente,
Pergunte à Alice;
Eu acho que ela saberá.
Quando lógica e proporção
Tiverem caído por terra
E o Cavaleiro Branco estiver falando ao contrário
E a rainha vermelha “corte a cabeça dela!”
Lembre-se o que o rato silvestre disse:
“Alimente sua cabeça. Alimente sua cabeça.”

Enteogenia – A Espiritualidade Libertária

Posted in Enteogenia, Espiritualidade, Reflexões on Maio 12, 2010 by lapicta

As religiões primitivas surgem quando o ser humano passa a filosofar sobre o meio externo no qual vive – tempestades, a rota do sol, as estações, a maré etc., passam a ser questionados, venerados ou temidos. Desde então no mundo foram criados os alicerces das inúmeras explicações do sobrenatural, em outras palavras religiões.

Teorias religiosas surgem, umas permanecem, outras se vão, outras se transformam, e a humanidade ao longo do tempo vai acumulando um conhecimento que passa por gerações que ora são distorcidos, ora conservam a essência da fonte criadora.

As religiões têm em comum a linearidade. Tendem a defender um caminho evolutivo no qual o ser humano parte de um estado bruto para um estado lapidado, o que seria a perfeição espiritual, a iluminação pelo reino de Deus.

E o que a enteogenia tem a ver com isso? Nada e tudo.

A espiritualidade da humanidade tem estado atada aos conhecimentos religiosos, mesmo nas religiões que incitam o desenvolvimento do eu interior. Pessoas se interessam pelo desenvolvimento espiritual e vão buscar bases para a construção do seu caminho nas religiões. Portanto a espiritualidade humana está diretamente ligada ao conhecimento acumulado da própria humanidade.

O que seria a enteogenia além do uso de substâncias naturais que alteram a consciência?

O caminho inverso, livre dos condicionamentos humanos. Puro em essência, direto.

A enteogenia dá acesso direto à planos superiores e à estados supra-humanos, desperta faculdades ora adormecidas e conecta o ser com toda a Energia que o cerca.

Por que defende-se a linearidade na qual inicia-se pela teoria religiosa (leitura) e vai para a prática religiosa (oração, rituais, meditação etc.)?

No fundo os defensores do não uso de substâncias alteradoras de consciência para a evolução espiritual nada mais defendem do que uma moral religiosa, um dogma. Mesmo aqueles que defendem a liberdade do espírito, mas são contra o salto quântico que os enteógenos causam na evolução espiritual, estão condicionados às referências religiosas, mesmo sem se dar conta disso. O que determina que num universo não linear, relativo e múltiplo tenha de haver um início e um fim da espiritualidade? Isso é apenas mais uma convenção religiosa.

Acessar planos elevados de consciência via enteógenos abre diversas possibilidades ao espírito. Sentir o Todo e saber que ele existe. Sentir a energia universal fluindo por si mesmo, por tudo e por todos e saber que ela existe. Sentir o silêncio e saber que ele é um estado onde não há tempo, espaço, sujeito ou objeto, pois tudo é um. Isso tudo sem precisar ler uma linha sequer das teorias religiosas. Como descartar essa infinidade de possibilidades de acesso às mais elevadas condições do espírito em uma só vida, em uma única existência? Isso é enteogenia.

Por que não se conhecer o fim para traçar um caminho, um meio? Isso elimina muitas das dúvidas que fazem as pessoas perderem tempo e até vidas se questionando da validade de suas práticas espirituais. Por que não conhecer o fim para o qual essas práticas estão levando, ou seja, por que não ter a enteogenia como um norte para o desenvolvimento espiritual em vez de relegá-la ao simples conceito – limitado, falso e moralista – de alucinação ou alteração química do funcionamento cerebral? Só pode falar dos estados enteogênicos quem já passou por uma experiência do tipo, e creio que todos por aqui hão de concordar com isso.

A enteogenia é muito mais do que a sociedade civil e religiosa define, mas não deve se propor a um embate entre os acessos empíricos que provoca contra o discurso religioso e sim unir-se a esse para complementar o conhecimento da humanidade sobre o universo, elevando o patamar espiritual da sociedade a planos superiores de consciência, inteligência e espiritualidade. Associar algumas práticas religiosas, como a circulação energética, por exemplo, ao uso de enteógenos tem resultados incríveis.

Feliz é quem tem a oportunidade de sentir o silêncio e buscá-lo através dos atos de sua vida.

Fonte – Fórum Cogumelos Mágicos (www.cogumelosmagicos.org/)

Autor – NeuroFX (Administrador do Fórum)

A Bola da Vez: Ayahuasca

Posted in Enteogenia, Espiritualidade, Folclore, Xamanismo on Março 23, 2010 by lapicta

Fonte: http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2010/03/22/santo-daime-midia-deturpa-e-agride-historia-da-unica-religiao-genuinamente-brasileira/

Santo Daime: mídia deturpa e agride história da única religião genuinamente brasileira


A revista Veja acaba de publicar uma sensacionalista reportagem sobre o assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas, 53, e de seu filho Raoni, 25. Na reportagem, sem nenhuma base material, a revista acusa o criminoso Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, Cadu, de ter ingerido ayahuasca, levando-o a cometer o crime.

De forma irresponsável e leviana, a revista acusa o uso da ayahuasca como causa do crime e passa a agredir a história dos três líderes que, aqui no Acre, fundaram religiões amazônicas, de raízes indígenas: o mestre Raimundo Irineu Serra, o mestre Daniel Pereira de Matos e mestre Gabriel.

Na tentativa de dar base científica à reportagem, a revista Veja produz um Frankenstein de intolerância religiosa, de desinformação e de preconceito com religiões amazônicas e indígenas. Em nenhum momento cita um estudo científico, com suas fontes e suas provas acadêmicas.

Quando cita a Associação Brasileira de Psiquiatria, não apresenta nenhum especialista, nenhuma fonte demonstrativa ou qualquer prova do que escreve na reportagem. Apenas apresenta a caricatura de um “bacana” com transtorno psíquico, esquizofrênico, que fumava maconha, e que tinha uma mãe e uma tia-avó também esquizofrênicas.

Não apresenta outros casos semelhantes pelo Brasil afora. São mais de 200 centros, entre União do Vegetal e Santo Daime, com mais de 30 mil seguidores. Por que o caso Glauco deveria servir de regra para uma religião que já completou mais de meio século sem um único caso de violência ou morte entre aqueles que a praticam?

Aqui no Acre, entre as igrejas do Alto Santo, Barquinha e União do Vegetal, são milhares de seguidores gozando de elevada qualidade de vida, respeitados socialmente e livres das pragas do alcoolismo e do consumo de drogas.

Aqui no Acre, entre os seguidores do Santo Daime, da UDV e da Barquinha, há juízes e promotores, jornalistas renomados, deputados e prefeitos, médicos e economistas, empresários, professores de universidades, delegados, policiais, membros de academias e de instituições laicas e respeitadas.

Homens e mulheres que estudam, acessam as bibliotecas e estão informados sobre os avanços da ciência, as curvas da economia e da política e as reportagens fantasiosas, levianas, preconceituosas, anticientíficas e mentirosas de Veja.

Milhares de jovens escaparam das grades dos presídios e até da morte porque abraçaram a religião dos entes mágicos da floresta, das ancestrais aldeias indígenas e da fraternidade de viver como irmãos nos dias de louvor, sob a simplicidade de seus hinos e do consumo ritualístico da ayahuasca.

Não há um único caso de agressão física, de violência, de distúrbio ou de morte entre os seguidores da UDV, do Santo Daime ou da Barquinha, em mais de meio século de religião, entre milhares de seguidores.

A revista Veja deturpou tudo: a história e a resistência dos líderes religiosos, o papel espiritual e social que cumpre as igrejas ayahuasqueiras, a origem indígena milenar e a longa tradição de vida saudável de seus membros. A revista Veja só não esqueceu daquilo que está lhe ficando peculiar: escrever com preconceito e leviandade. Veja sequer respeitou a história.

A ayahuasca serviu como base para o estabelecimento de diferentes tradições espirituais por comunidades indígenas nos países amazônicos desde tempos imemoriais. Os povos indígenas utilizaram a ayahuasca como um elo imaterial com o divino que estava entre as árvores, os lagos silenciosos, os igarapés. É que, para eles, a natureza possuía alma e vontade própria.

Povos indígenas do Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador, há quatro mil anos, utilizam a ayahuasca em seus rituais sagrados, como o padre usa o vinho sacramental na Eucaristia e os indígenas bebem o peyote nas cerimônias sincréticas da Igreja Nativa Americana.

O uso ritualístico da ayahuasca é bem mais antigo que o consumo do saquê ou Ki, bebida sagrada do Xintoísmo, usada a partir de 300 a.C, feito do arroz e fermentado pela saliva feminina, sendo cuspida pelas jovens virgens em tachos.

As origens do uso da ayahuasca nos países amazônicos remontam à Pré-história. Há evidências arqueológicas através de potes e desenhos que nos levam a afirmar que o uso da ayahuasca ocorra desde 2 mil a.C.

A utilização da ayahuasca pelo homem branco é uma acolhida da espiritualidade das florestas tropicais, um banho de rio milenar e sentimental do tempo em que os povos amazônicos viviam em fraternidade econômica e religiosa.

Os ataques ao uso ritualístico-religioso da ayahuasca, como bebida sacramental, nos autoriza a afirmar que podem estar nascendo interesses menos inocentes e mais poderosos do que uma simples preocupação acadêmica com a utilização de substâncias psicoativas.

Nunca é bom esquecer que a ayahuasca é uma substância natural exclusiva das florestas tropicais dos países amazônicos e pode alimentar interesses econômicos relacionados a patentes e elevar a cobiça sobre a nossa inestimável biodiversidade.

Não custa nada ficar alerta para essa esquizofrenia da grande mídia em atacar o uso ritualístico-religioso da ayahuasca. É mais fácil roubar um pão numa padaria do que uma hóstia no altar, mesmo que os dois sejam feitos do mesmo trigo. Por que tanto interesse em dessacralizar o uso da ayahuasca?

A ayahuasca é uma combinação química simples e ao mesmo tempo complexa, que envolve um cipó e um arbusto endêmicos do imenso continente amazônico. Simples porque a sua primitiva química material da floresta é realizada por homens comuns, do pajé ao ayahuasqueiro dos templos amazônicos.

Complexa porque envolve a elevação de indicadores psico-sociais de qualidade de vida e ajuda a atingir estados ampliados de consciência dos usuários. Isso por si só já alça a ayahuasca a um patamar superior no plano do controle científico dessas duas ervas milenares.

Assim, a ayahuasca ganha contornos políticos por envolver recursos florísticos de inestimável valor psico-social e espiritual. Os seus usuários consideram o “vinho das almas” como um instrumento físico-espiritual que favorece a limpeza interior, a introspecção, o autoconhecimento e a meditação.

Utilizar ayahuasca aqui na Amazônia é beber do próprio poço de nossa ancestralidade e da magia que representa a nossa milenar resistência. Aqui na floresta, protegidos pelos entes fortes de nossa religião animista e natural, nossos ancestrais não precisaram “miscigenar” sua fé.

Não foi necessário fazer como os negros escravos, que deram nomes de santos católicos aos seus deuses africanos. Nossos ancestrais indígenas não precisaram batizar Iemanjá de Nossa Senhora ou Oxossi de São Sebastião para se protegerem da fé unilateral do dono da terra e das almas.

É que entre nós a terra era de todos e o único dono era o senhor da chuva, do orvalho e do sol. A beleza coletiva dos recursos naturais era compartilhada por toda a aldeia, do curumim ao sábio ancião.

A ayahuasca era a essência espiritual dessa convivência material fraterna e universal entre as árvores carinhosas, os riachos irmãos, os pássaros cantores, os peixes, as larvas, os insetos, as flores. A ayahuasca ancestral era o elo entre a terra e o espírito.

Se não fosse uma erva espiritual e mágica, trazida pelas mãos milenares dos povos indígenas amazônicos, ela não teria resistido ao tempo. Por isso é natural que a ayahuasca atraia cada vez mais o homem branco, esmagado pelo destrutivo modo de vida urbano, elitista, ocidental, capitalista.

A ayahuasca não é um chá que se consome como se bebe um líquido ácido qualquer. O seu uso é espiritual e envolve aqueles que o utilizam na mais límpida tradição de amar o próximo e reencontrar os valores que perdemos na caminhada do planeta que se dividiu em castas, cores, fronteiras e etnias.

Não entrarei no debate acadêmico sobre o uso de substâncias psicoativas por parte das religiões milenares, das eras pré-colombianas aos templos dos tempos atuais. Não tenho competência para debater os pontos de vista da medicina, da psicologia ou da etnofarmacologia. Ficarei apenas com os resultados do uso milenar da ayahuasca pelos povos indígenas.

A milenar história amazônica não registra casos de morte ou de seqüelas à saúde dos povos indígena por terem utilizado a ayahuasca. Nenhum índio, nesses séculos de consumo da ayahuasca, deu entrada no hospital dos brancos ou foi curado pelos pajés.

A ayahuasca não é “taliban”, seus usuários não constituem nenhuma seita, eles não são fanáticos, não há um único caso de morte ou de castigo físico que tenha sido resultado do seu consumo ritualístico.

O uso ritualístico da ayahuasca não provoca transes místicos ou de possessão. Ela não age no organismo como a antiga bebida hindu, denominada soma, que se divinizou por afastar o sofrimento, embriagando e elevando as forças vitais.

Depois de 4 mil anos de uso sagrado e ritualístico da ayahuasca, os estudiosos da civilização ocidental erguem argumentos anêmicos e endêmicos de uma sociedade que tem medo do “contato” aberto do homem com a natureza. É que eles têm medo da relação amorosa entre o indivíduo e a natureza com os seus elementos poderosos e coletivos.

Os sábios e avançados incas utilizaram a ayahuasca para consolidar-se como povo, como nação e para ajudar no florescimento da cultura, da matemática, da agricultura e da astronomia. Não é qualquer planta ou cipó que faz um povo, uma história milenar, uma religião.

Só não puderam utilizar a sagrada ayahuasca para produzir metálicos fuzis, pois se assim fosse, não teriam sido dizimados pelos invasores espanhóis. Pizarro não consumiu o “cipó dos mortos”, por isso dizimou tantos guerreiros, mulheres índias, donzelas, pajés, curumins.

A ayahuasca resistiu, venceu os invasores e as suas crenças unilaterais, atravessou os séculos, os milênios, unificou as milenares gerações indígenas e suavizou a dor “civilizaria” das eras pós-colombianas.

A ayahuasca é a religião da terra para o céu, da matéria eterna e natural para o infinito do sonho humano, a religião natural. Uma verdadeira e única religião do Brasil, aliás, uma colossal e genuína religião amazônica e indígena.

Encerro esse ensaio com um relato da experiência física de quem fez uso ritualístico-religioso da ayahuasca:

Lembro de tudo nitidamente. Eu via seres de luz carregando lixo da floresta para dentro de uma caminhonete. Muitos seres e muito lixo. Então perguntei para um deles:

– O que é isso?

Um dos seres me respondeu:

– São as suas máscaras, você não pode ver ainda.

Moisés Diniz é autor do livro O Santo de Deus e deputado estadual pelo PCdoB do Acre. Clique aqui e leia os manifestos (de março de 2006) sobre ayahuasca, de autoria do Centro Iluminação Cristã Luz Universal – Alto Santo e do Centro Espírita e Culto de Oração Casa de Jesus Fonte de Luz, os mais tradicionais do Acre.

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