Archive for the Xamanismo Category

Posted in Espiritualidade, Reflexões, Xamanismo on Agosto 10, 2011 by lapicta

“Adoro caminhar em silencio pelas sombras.
Sou um bicho da noite, do crepúsculo, uma caçadora noturna.
O barulho me fere a alma; busco a quietude,
o contato comigo mesma e com a natureza.”

Léa Waider

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Um tributo

Posted in Espiritualidade, Xamanismo on Agosto 1, 2011 by lapicta

Para a Senhora da Espreita, minha Essência e meu instinto mais primitivo.

Posted in Crenças Tradicionais Européias, Espiritualidade, Literatura, Reflexões, Xamanismo on Julho 1, 2011 by lapicta

 

“Os mensageiros animais, enviados pelo Poder Invisível, já não servem
mais, como nos tempos primevos, para ensinar e guiar a humanidade.
Ursos, leões, elefantes, lobos e gazelas estão nas jaulas de nosso
zoológicos. O homem não é mais o recém-chegado a um mundo de planícies
e florestas inexploradas, e nossos vizinhos mais próximos não são as
bestas selvagens, mas outros seres humanos, lutando por bens e espaço,
num planeta que gira sem cessar ao redor da bola de fogo de uma
estrela. Nem em corpo nem em alma habitamos o mundo daquelas raças
caçadoras do milênio paleolítico, a cujas vidas e caminhos de vida, no
entanto devemos a própria forma dos nossos corpos e a estrutura das
nossas mentes. Lembranças de suas mensagens animais devem estar
adormecidas, de algum modo, em nós, pois ameaçam despertar e se agitam
quando nos aventuramos em regiões inexploradas. Elas despertam com o
terror do trovão. E voltam a despertar, com uma sensação de
reconhecimento, quando entramos numa daquelas grandes cavernas
pintadas. Qualquer que tenha sido a escuridão interior em que os xamãs
daquelas cavernas mergulharam, em seus transes, algo semelhante deve
estar adormecido em nós, e nos visita à noite, no sono.”

 (Joseph Campbell)

Sounds of Dolphins

Posted in Espiritualidade, Músicas, Xamanismo on Setembro 6, 2010 by lapicta

Os deuses dos mares…como muitas, uma criatura que ensina somente por ser.

Os 4 Inimigos Naturais do Homem de Conhecimento

Posted in Espiritualidade, Etnografia, Reflexões, Xamanismo on Junho 17, 2010 by lapicta


Em nossas conversas, Dom Juan sempre usava ou se referia à expressão “homem de conhecimento”, mas nunca explicava o que queria dizer com isso. Perguntei-lhe a respeito.

– Um homem de conhecimento é aquele que seguiu honestamente as dificuldades da aprendizagem – disse ele. – Um homem que, sem se precipitar nem hesitar, foi tão longe quanto pôde para desvendar os segredos do poder e da sabedoria.

– Qualquer pessoa pode ser um homem de conhecimento?

– Não; não qualquer pessoa.

– Então o que é preciso para se tornar um homem de conhecimento?

– O homem tem que desafiar e vencer seus quatro inimigos naturais.

– Ele será um homem de conhecimento depois de vencer esses quatro inimigos?

– Sim. Um homem pode chamar-se de homem de conhecimento somente se for capaz de vencer os quatro.

– Então, qualquer pessoa que conseguir vencer esses inimigos pode ser um homem de conhecimento?

– Qualquer pessoa que os vencer tornar-se um homem de conhecimento.

– Mas há algum requisito especial que o homem tenha de atender antes de lutar contra esses inimigos?

– Não. Qualquer pessoa pode tentar tornar-se um homem de conhecimento; muito poucos homens o conseguem, realmente, mas isso é natural. Os inimigos que um homem encontra no caminho do saber para tornar-se um homem de conhecimento são realmente formidáveis; a maioria dos homens sucumbe a eles.

– Que tipos de inimigos são, Dom Juan?

Recusou-se a falar sobre os inimigos. Disse que se passaria muito tempo até que o assunto fizesse sentido para mim. Procurei manter a conversa a perguntei-lhe se  eu poderia me tornar um homem de conhecimento. Respondeu que ninguém poderia dizer isso ao certo. Mas eu insisti para saber se havia algum indício que ele pudesse usar para saber se eu tinha ou não possibilidade de me tornar um homem de conhecimento. Falou que dependia de minha luta contra os quatro
inimigos – se eu conseguiria derrotá-los ou ser derrotado por eles – mas que era impossível prever o resultado dessa luta.

Perguntei-lhe se ele podia usar feitiços ou adivinhação para ver o resultado da luta. Declarou claramente que os resultados da luta não poderiam ser previstos por meio algum, porque tornar-se um homem de conhecimento era uma coisa temporária. Quando eu pedi que ele explicasse isso, respondeu:

– Ser um homem de conhecimento não tem permanência. Nunca se é um homem de conhecimento. Não de verdade. Ou antes, a pessoa se torna um homem de conhecimento por um instante muito breve, depois de derrotar os quatro inimigos naturais.

– Você tem que me dizer, Dom Juan, que tipos de inimigos eles são.

Não respondeu. Torno a insistir, mas ele mudou de assunto e começou a falar sobre outra coisa.

Domingo, 15 de abril de 1962

Quando eu estava me preparando para partir, tornei a lhe perguntar acerca dos inimigos do homem de conhecimento. Argumentei que ia passar algum tempo sem voltar, e que seria uma boa idéia escrever as coisas que ele tivesse a dizer e pensar e pensar a respeito enquanto estivesse fora. Hesitou um pouco, mas depois começou a falar:
– Quando um homem começa a aprender, ele nunca sabe muito claramente quais seus objetivos. Seu propósito é falho; sua intenção, vaga.
Espera recompensas que nunca se materializarão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem.

“Devagar, ele começa a aprender… a princípio, pouco a pouco, e depois em porções grandes. E logo seus pensamentos entram em choque. O que aprende nunca é o que ele imaginava, de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. Cada passo da aprendizagem é uma nova tarefa, e o medo que o homem sente começa a crescer impiedosamente, sem ceder. Seu propósito tornar-se um campo de batalha.

“E assim ele se deparou com o primeiro de seus inimigos naturais: o Medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro, e difícil de vencer. Permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando, à espreita. E se o homem, apavorado com a sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca.

– O que acontece com o homem se ele fugir com medo?

– Nada lhe acontece, a não ser que nunca aprenderá. Nunca se tornará um homem de conhecimento. Talvez se torne um tirano, ou um pobre homem apavorado e inofensivo; de qualquer forma, será um homem vencido. Seu primeiro inimigo terá posto fim a seus desejos.

– E o que ele pode fazer para vencer o medo?

– A resposta é muito simples. Não deve fugir. Deve desafiar o medo, e, a despeito dele, deve dar o passo seguinte na aprendizagem, e o seguinte, e o seguinte. Deve ter medo, plenamente, e no entanto não deve parar. É esta a regra! E o momento chegará em que o seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito torna-se mais forte. Aprender não é mais uma tarefa aterradora. Quando chega esse momento feliz, o homem pode dizer sem hesitar que derrotou seu primeiro inimigo natural.

– Isso acontece de uma vez, Dom Juan, ou aos poucos?

– Acontece aos poucos e no entanto o medo é vencido de repente e depressa.

– Mas o homem não terá medo outra vez, se lhe acontecer alguma coisa nova?

– Não. Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque, em vez do medo, ele adquiriu a clareza… uma clareza de espírito que apaga o medo. Então, o homem já conhece seus desejos; sabe como satisfazê-los. Pode antecipar os próximos passos na aprendizagem e uma clareza viva cerca tudo. O homem sente que nada se lhe oculta.

“E assim ele encontra seu segundo inimigo: a Clareza! Essa clareza de espírito, que é tão difícil de obter, elimina o medo, mas também cega.

“Obriga o homem a nunca duvidar de si. Dá-lhe a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. E ele é corajoso porque é claro e não pára diante de nada porque é claro. Mas tudo isso é um engano; é uma coisa incompleta. Se o homem sucumbir a esse poder de faz-de-conta, sucumbiu a seu segundo inimigo e tateará com a aprendizagem. Vai precipitar-se quando devia ser paciente, ou ser paciente quando devia precipitar-se. E tateará com a aprendizagem até acabar incapaz de aprender mais qualquer coisa.

– O que acontece com um homem que é derrotado assim, Dom Juan? Ele morre por isso?

– Não, não morre. Seu inimigo acaba de impedi-lo de se tornar um homem de conhecimento; em vez disso, o homem pode tornar-se um guerreiro valente, ou um palhaço. No entanto, a clareza, pela qual ele pagou tão caro, nunca mais se transformará de novo em trevas ou medo. Será claro enquanto viver, mas não aprenderá nem desejará nada.

– Mas o que tem de fazer para não ser vencido?

– Tem de fazer o que fez com o medo: tem de desafiar sua clareza e usá-la só pra ver, e esperar com paciência e medir com cuidado antes de dar novos passos; deve pensar, acima de tudo, que sua clareza é quase um erro. E virá um momento em que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. E assim ele terá vencido seu segundo inimigo, e estará numa posição em que nada mais poderá prejudicá-lo. Isso não será um engano. Não será um ponto diante da vista. Será o verdadeiro poder.

“Ele saberá a essa altura que o poder que vem buscando há tanto tempo é seu, por fim. Pode fazer o que quiser com ele. Seu aliado está às suas ordens. Seu desejo é a ordem. Vê tudo o que está em volta. Mas também encontrou seu terceiro inimigo: o Poder!

“O poder é o mais forte de todos os inimigos. E naturalmente a coisa mais fácil é ceder; afinal de contas, o homem é realmente invencível. Ele comanda; começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras, porque é um senhor.

“Um homem nesse estágio quase nem nota seu terceiro inimigo se aproximando. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso.
– E ele perderá o poder?

– Não, ele nunca perderá sua clareza nem seu poder.

– Então o que o distinguirá de um homem de conhecimento?

– Um homem que é derrotado pelo poder morre sem realmente saber manejá-lo. O poder é apenas uma carga em seu destino. Um homem desses não tem poder sobre si, e não sabe quando ou como usar seu poder.

– A derrota por algum desses inimigos é uma derrota final?

– Claro que é final. Uma vez que esses inimigos dominem o homem, não há nada que ele possa fazer.

– Será possível, por exemplo, que o homem derrotado pelo poder veja seu erro e se emende?

– Não. Uma vez que o homem cede, está liquidado.

– Mas, e se ele estiver temporariamente cego pelo poder, e depois o recusar?

– Isso significa que a batalha continua. Isso significa que ele ainda está tentando ser um homem de conhecimento. O indivíduo é derrotado quando não tenta mais e se abandona.

– Mas então, Dom Juan, será possível que um homem se entregue ao medo durante anos, mas que no fim ele o vença.

– Não, isso não é verdade. Se ele ceder ao medo, nunca o vencerá, porque se desviará do conhecimento e nunca mais tentará. Mas se procurar aprender durante anos no meio de seu medo, acabará dominando-o, porque nunca se entregou realmente a ele.

– E como o homem pode vencer seu terceiro inimigo, Dom Juan?

– Também tem de desafiá-lo, propositadamente. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido, na verdade nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder, sem seu controle sobre si, são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado. Então, saberá como e quando usar seu poder. E assim terá derrotado seu terceiro inimigo.

“O homem estará, então, no fim de sua jornada do saber, e quase sem perceber encontrará seu último inimigo: a Velhice! Este inimigo é o mais cruel de todos, o único que ele não conseguirá derrotar completamente, mas apenas afastar.

“É o momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espírito… um momento em que todo seu poder está controlado, mas também um momento em que ele sente um desejo irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se ele se afundar na fadiga, terá perdido o último round, e seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda sua clareza, seu poder e sabedoria.

“Mas se o homem sacode sua fadiga, e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último momento invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente.””

Carlos Castañeda  –  A Erva do Diabo

Yulunga (Spirit Dance) – Dead Can Dance

Posted in Espiritualidade, Folclore, Músicas, Xamanismo on Junho 2, 2010 by lapicta

Isso é o que eu chamo de “Música de Poder”.

White Rabbit – Jefferson Airplane

Posted in Enteogenia, Espiritualidade, Músicas, Xamanismo on Maio 21, 2010 by lapicta

E de pensar que ainda tem gente que acredita que Alice no País das Maravilhas é História Infantil…quero ver se quem acha isso, depois de ouvir a maravilhosa música de Jefferson Airplane ainda vai manter a mesma opinião. Aliás, o filme foi bom…versão bem diferente da anterior.

White Rabbit

One pill makes you larger
And one pill makes you small,
And the ones that mother gives you
Don’t do anything at all.
Go ask Alice
When she’s ten feet tall.
And if you go chasing rabbits,
And you know you’re going to fall,
Tell ‘em a hookah-smoking caterpillar
Has given you the call.
Call Alice
When she was just small.
When the men on the chessboard
Get up and tell you where to go,
And you’ve just had some kind of mushroom
And your mind is moving low,
Go ask Alice;
I think she’ll know.
When logic and proportion
Have fallen sloppy dead,
And the White Knight is talking backwards
And the Red Queen’s “off with her head!”
Remember what the dormouse said:
“Feed your head. Feed your head. Feed your head”

Coelho Branco

Uma pílula deixa você grande
E uma pílula deixa você pequeno
E aquelas que a sua mãe lhe dá
Não fazem efeito algum.
Pergunte à Alice
Quando ela estiver alta
E se você for caçar coelhos,
E souber que irá falhar,
Mostre a eles que uma lagarta fumando “Narguilé”
Tem feito o chamado para você.
Chame a Alice
Quando ela estiver apenas pequena.
Quando os homens no tabuleiro de xadrez
Levantarem e lhe disserem onde ir,
E você consumira há pouco um tipo de cogumelo
E sua mente estiver movendo-se lentamente,
Pergunte à Alice;
Eu acho que ela saberá.
Quando lógica e proporção
Tiverem caído por terra
E o Cavaleiro Branco estiver falando ao contrário
E a rainha vermelha “corte a cabeça dela!”
Lembre-se o que o rato silvestre disse:
“Alimente sua cabeça. Alimente sua cabeça.”

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