Archive for the Poesias Category

Emily Dickinson

Posted in Ecologia, Literatura, Poesias, Reflexões on Setembro 23, 2012 by lapicta

A Light Exists in Spring

Emily Dickinson

A Light exists in Spring
Not present on
the Year

At any other period —
When March is scarcely
here

A Color stands abroad
On Solitary
Fields

That Science cannot overtake
But Human Nature
feels.

It waits upon the Lawn,
It shows the
furthest Tree

Upon the furthest Slope you know
It almost
speaks to you.


Then as Horizons step
Or Noons
report away

Without the Formula of sound
It passes and we
stay —

A quality of loss
Affecting our
Content

As Trade had suddenly encroached
Upon a
Sacrament.

Existe na primavera uma luz

Existe na primavera uma luz
Não
presente no ano,
Em nenhum outro período –
Quando Março mal
começou

Uma Cor detém-se no exterior,
Nos campos solitários.
A
ciência não pode alcançá-la,
Mas a natureza humana a sente.

Ela
aguarda sob a relva,
Revela a árvore mais distante,
Sob o mais distante
declive conhecido
E que por pouco fala contigo.

Então, como andam os
Horizontes
Ou os meios-dias anunciam distantes,
Sem a Fórmula do
som,
Isso passa e nós permanecemos –

Uma virtude de
desperdício,
Afetando nosso contentamento.
Como permuta que houvesse
subitamente transbordado
Sob um Sacramento.

Eterno Retorno

Posted in Literatura, Poesias, Reflexões on Setembro 8, 2012 by lapicta
Luis Royo - A Roda da Fortuna

Luis Royo – A Roda da Fortuna

 Para Pensar…sobre o ir e vir…

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!”. Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?

Friedrich Nietzsche

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 Eterno retorno é um conceito filosófico formulado por Friedrich Nietzsche.

Em alemão o termo é Ewige Wiederkunft. Uma síntese dessa teoria é encontrada em “A Gaia Ciência”, cujo trecho consta acima.

Miña Nai Lúa – Rosa Cedrón

Posted in Espiritualidade, Frases, Músicas, Reflexões on Novembro 5, 2011 by lapicta

Miña Nai Lúa (Rosa Cedrón)

Minha mãe Lua

Ti, oh señora das mareas
Principio e fin da miña doce esencia
En ti nace e morre o tempo…

Ti, forza fértil dos misterios
Eterna dona dos ocultos semtimentos
A liberdade dos trece segredos…

Arrolada no teu berce, miña nai lúa
Cantarei pra quen te quera ben
Cantarei ata o mencer.
Tapadiña co teu manto, miña nai lúa
Cantarei para quen te quera ver
Cantarei ate morrer

Ti que me acompañas cada noite
Na tan profunda e verdadeira dor
Da miña adormecida ialma…

Ti que agarimosamente buscas
Na tan escura poza dos meus ollos
Os vestixos dos meus soños

Arrolada no teu berce, miña nai lúa
Cantarei pra quen te quera ben
Cantarei ata o mencer.
Tapadiña co teu manto, miña nai lúa
Cantarei para quen te quera ver
Cantarei ate morrer

Cóbreme coa tua sombra silandeira
De amor e dauga, ti deusa das noites
Oh señora das mareas

Arrolada no teu berce, miña nai lúa
Cantarei pra quen te quera ben
Cantarei ata o mencer.
Tapadiña co teu manto, miña nai lúa
Cantarei para quen te quera ver
Cantarei ate morrer

———————-

Tu, oh senhora das marés

princípio e fim da minha doce essência

em ti nasce e morre o tempo…

Tu, força fértil dos mistérios

eterna dona dos ocultos sentimentos

a liberdade dos treze segredos…

Envolvida em teu berço, minha mãe Lua

cantarei pra quem te queira bem

cantarei até o amanhecer.

Tapadinha com teu manto, minha mãe Lua

cantarei para quem te queira ver

cantarei até morrer

Tu que me acompanhas cada noite

Na tão profunda e verdadeira dor

da minha adormecida alma…

Tu que carinhosamente buscas

na tão escura poça dos meus olhos

os vestígios do meus sonhos

Envolvida em teu berço, minha mãe Lua

cantarei pra quem te queira bem

cantarei até o amanhecer.

Tapadinha com teu manto, minha mãe Lua

cantarei para quem te queira ver

cantarei até morrer

Cobre-me com a tua sombra cirandeira

de amor e d’água, tu, deusa das noites,

oh senhora das marés

Envolvida em teu berço, minha mãe Lua

cantarei pra quem te queira bem

cantarei até o amanhecer.

Tapadinha com teu manto, minha mãe Lua

cantarei para quem te queira ver

cantarei até morrer

Andares – Hermann Hesse

Posted in Literatura, Poesias, Reflexões on Agosto 23, 2011 by lapicta

 

Andares

Como emurchece toda flor, e toda idade
juvenil cede à senil – cada andar da vida
floresce, qual a sabedoria e a virtude,
a seu tempo, e não há de durar para sempre.

A cada chamado da vida o coração
deve estar pronto para a despedida e para
novo começo, com ânimo e sem lamúrias,
aberto sempre para novos compromissos.
Dentro de cada começar mora um encanto
que nos dá forças e nos ajuda a viver.

Devemos ir contentes, de um lugar a outro,
sem apegar-nos a nenhum como a uma pátria:
não nos quer atados, o espírito do mundo
– quer que cresçamos, subindo andar por andar.
Mal a um tipo de vida nos acomodamos
e habituamos, cerca-nos o abatimento.

Só quem se dispõe a partir e a ir em frente
pode escapar à rotina paralisante.
É bem possível que a hora da morte ainda
de novos planos ponha-nos na direção:
para nós, não tem fim o chamado da vida…
Saúda, pois, e despede-te, coração!

(de “Andares”, 1961)

 

Um – Silêncio

Posted in Espiritualidade, Poesias, Reflexões on Agosto 23, 2011 by lapicta

 

 Sim, One


O que sinto , a língua não fala.
Há uma dor que não tem nome.
Musgo de abismo que o sopro
da voz alcança e macera.
Don’t let me be misunderstood.
I don’t want to be alone.

 

 Silêncio

De pedra ser.
Da pedra ter
o duro desejo de durar.
Passem as legiões
com seus ossos expostos.
Chorem os velhos
com casacos de naftalina.
A nave branca chega ao porto
e tinge de vinho o azul do mar.
O maciço de rocha,
de costas para a cidade
sete vezes destruída,
celebra o silêncio.
A pedra cala
o que nela dói.

Donizete Galvão

Zé Ramalho – Canção Agalopada

Posted in Espiritualidade, Músicas, Poesias, Reflexões on Agosto 18, 2011 by lapicta

Foi um tempo que o tempo não esquece
Que os trovões eram roncos de se ouvir
Todo o céu começou a se abrir
Numa fenda de fogo que aparece
O poeta inicia sua prece
Ponteando em cordas e lamentos
Escrevendo seus novos mandamentos
Na fronteira de um mundo alucinado
Cavalgando em martelo agalopado
E viajando com loucos pensamentos

Sete botas pisaram no telhado
Sete léguas comeram-se assim
Sete quedas de lava e de marfim
Sete copos de sangue derramado
Sete facas de fio amolado
Sete olhos atentos encerrei
Sete vezes eu me ajoelhei
Na presença de um ser iluminado
Como um cego fiquei tão ofuscado
Ante o brilho dos olhos que olhei

Pode ser que ninguém me compreenda
Quando digo que sou visionário
Pode a bíblia ser um dicionário
Pode tudo ser uma refazenda
Mas a mente talvez não me atenda
Se eu quiser novamente retornar
Para o mundo de leis me obrigar
A lutar pelo erro do engano
Eu prefiro um galope soberano
À loucura do mundo me entregar

The Doors – Waiting for the Sun

Posted in Músicas, Poesias on Agosto 11, 2011 by lapicta

Waiting For The Sun

At first flash of Eden, We race down to the sea.
Standing there on freedom’s shore.
Waiting for the sun. Waiting for the sun. Waiting for the
sun.
Can you feel it, now that spring has come?
That it’s time to live In the scattered sun.
Waiting for the sun. Waiting for the sun. Waiting for the
sun.
Waiting for the sun.
Waiting…
Waiting for you to
Come along.
Waiting for you to
Hear my song.
Waiting for you to come along.
Waiting for you to Tell me what went wrong.
This is the strangest life I’ve ever known.
Can’t you feel it, now that spring has come?
That it’s time to live In the scattered sun.
Waiting for the sun. Waiting for the sun. Waiting for the
sun. Waiting for the sun

Esperando Pelo Sol

No primeiro flash do Éden, corremos até ao mar.
Ficando lá no litoral da liberdade.
Esperando pelo sol. Esperando pelo sol. Esperando pelo
Sol.
Você sente, agora que a primavera chegou?
Isso é a hora de viver no sol difuso.
Esperando pelo sol. Esperando pelo sol. Esperando pelo
sol.
Esperando pelo sol.
Esperando…
Esperando por você para
Chegar.
Esperando por você para
Ouvir a minha música.
Esperando por você para chegar.
Esperando por você para me dizer o que deu errado.
Esta é a vida mais estranha que eu já conheci.
Você sente, agora que a primavera chegou?
Isso é a hora de viver no sol difuso.
Esperando pelo sol. Esperando pelo sol. Esperando pelo
Sol. Esperando pelo sol.

Matinas – John O’Donohue

Posted in Espiritualidade, Poesias, Reflexões on Agosto 2, 2011 by lapicta

MATINAS
  
– Por John O’Donohue –
 

Em algum lugar, lá nas bordas, a noite
Está se transformando e as ondas da treva
Começam a se iluminar na margem do amanhecer.
 
A espessa escuridão reverte à terra,
E o ar liberto enlouquece com a luz.
O coração enche-se de novo e vivo alento,
E os pensamentos se agitam para dar origem à cor.
 
Levanto-me hoje…
Em nome do Silêncio,
Berço da Palavra.
Em nome da Tranquilidade,
Morada da Integração,
Em nome da Solidão,
Da Alma e da Terra.
 
Levanto-me hoje…
Abençoado por todas as coisas,
Asas do alento,
Encanto de olhos,
Prodígio de murmúrio,
Intimidade de toque,
Eternidade de alma,
Premência de pensamento,
Milagre de saúde,
Abraço de Deus.
 
Que eu viva este dia…
Compassivo de coração,
Suave de palavra,
Indulgente na percepção,
Corajoso no pensamento,
Generoso no amor.

Lisa Gerrard – The Sonf of Amergin

Posted in Crenças Tradicionais Européias, Espiritualidade, Músicas, Poesias, Reflexões on Julho 29, 2011 by lapicta

The Song Of Amergin

Composição: Lisa Gerrard & Patrick Cassidy

Am gaeth i m-muir
Am tond trethan
Am fuaim mara
Am dam secht ndirend
Am séig i n-aill
Am dér gréne
Am cain lubai
Am torc ar gail
Am he i l-lind
Am loch i m-maig
Am brí a ndai
Am gái i fodb fras feochtu
Am dé delbas do chind codnu
Coiche nod gleith clochur slébe
Cia on co tagair aesa éscai
Cia du i l-laig fuiniud gréne
Cia beir buar o thig tethrach
Cia buar tethrach tibi
Cia dám, cia dé delbas faebru a ndind ailsiu
Cáinte im gai, cainte gaithe

 —————————–

I am the wind on the sea
I am the stormy wave
I am the sound of the ocean
I am the bull with seven horns
I am the hawk on the cliff face
I am the sun’s tear
I am the beautiful flower
I am the boar on the rampage
I am the salmon in the pool
I am the lake on the plain
I am the defiant word
I am the spear charging into battle
I am the god who put fire in your head
Who made the trails through stone mountains
Who knows the age of the moon
Who knows where the setting sun rests
Who took the cattle from the house of the warcrow
Who pleases the warcrow’s cattle
What bull, what god created the mountain skyline
The cutting word, the cold word

—————————–

 Eu sou o Vento sobre o Mar
 Eu sou a Tempestuosa Onda
 Eu sou o Som do Oceano
 Eu sou o Touro de Sete Chifres
 Eu sou a Águia do Penhasco
 Eu sou a Lágrima do Sol
 Eu sou a Bela Flor
 Eu sou o Javali Selvagem e Destemido
 Eu sou o Salmão na Água
 Eu sou o Lago na Planície
 Sou a Palavra de Conhecimento
 Eu sou a ponta da Lança na Batalha
 Eu sou O deus que Inflama sua Cabeça
 Quem fez a Trilha entre as Pedras das Montanhas
 Quem sabe A Idade da Lua
 Quem sabe onde Descansa o Sol
 Quem tirou o Gado da Casa Warcrow
 Quem agrada o Gado de Warcrow
 Qual touro, que Deus criou a linha do horizonte na montanha
 A palavra Cortante, a Palavra Impassível

Posted in Literatura, Poesias, Reflexões on Julho 18, 2011 by lapicta

 

Noções

Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.

Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera…

Cecília Meireles

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